A meio caminho entre a colina do Castelo de São Jorge, em Lisboa e o rio Tejo existe um monumento gigantesco e de importância excecional do qual poucas pessoas ouviram falar (e menos ainda visitaram).
O teatro romano de Olissipo foi mandado construir, há cerca de 2 mil anos por um império em afirmação e crescimento que, há 2 mil anos, se estendia, a norte, das florestas da Germânia até, a sul, às costas mediterrânicas do norte de áfrica; dos confins do atual Médio Oriente até, precisamente, ao extremo mais ocidental da Europa.
Quem ousasse passar de barco ao largo de Olissipo, no início deste Era, não poderia ter dúvidas de que aquela era terra do Império, ao ver, a meio da colina, o edifício do monumental teatro. Nele, chegaram a caber mais de 4 mil espectadores (hoje o maior teatro de Lisboa terá pouco mais de 1000 lugares), e foi palco para alguns dos mais importantes acontecimentos da cidade: teatrais mas também políticos, religiosos e rituais.
Mas, numa importante lição da História de que a glória é sempre passageira, o gigante da colina de Olissipo desapareceu com as ruínas do Império. Assim permaneceu esquecido, durante séculos, por debaixo das pedras da cidade até que o terramoto de 1755 -- e a reconstrução da cidade – o trouxeram de novo à luz do dia, numa obra de resgate da memória que, apesar de tudo, continua por terminar.
Neste episódio de ‘Histórias de Lisboa’, um pouco mais comprido do que é habitual, o jornalista Miguel Franco de Andrade conversa com o arqueóloga Lídia Fernandes, coordenadora do Museu do Teatro Romano, sobre o monumento que é um “gigante adormecido” na colina do Castelo de Lisboa.
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