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  • Uso de ChatGPT divide estudantes e acadêmicos na França
    A ferramenta de inteligência artificial ChatGPT também provoca intenso debate público na França. O robô, lançado no final do ano passado pela empresa americana OpenAI, faz sucesso entre internautas no mundo todo, mas foi proibido esta semana pela SciencesPo, uma universidade que forma as elites intelectuais francesas. O ChatGPT é uma inteligência artificial que responde a perguntas sobre qualquer assunto – política, futebol, cinema, economia, culinária –, produzindo textos de qualidade em diversos idiomas, em poucos segundos. O robô ainda organiza tarefas, resolve cálculos de matemática e problemas de física. Ele armazena uma imensa base de dados, estruturada em várias camadas que se comunicam para fornecer uma resposta precisa à solicitação do internauta. É uma espécie de super Google, mas melhorado, segundo especialistas, por ter sido treinado a redigir textos com riqueza de detalhes, enquanto o Google indica apenas fontes onde a pessoa pode encontrar informações sobre o assunto que pesquisa. O ChatGPT é considerado uma ferramenta útil, mas que tem criado polêmica nas salas de aula por substituir o trabalho do estudante e facilitar a cola. Há poucos dias, o Instituto de Ciências Políticas de Paris, também conhecido como SciencesPo, que forma as elites da França em várias áreas, como administração pública, finanças, direito, comércio exterior, jornalismo, cinema, decidiu proibir o uso do ChatGPT pelos estudantes. A punição para o infrator será a expulsão da universidade. A diretora da SciencesPo, Myriam Dubois-Monkachi, reconheceu que a ferramenta é "fenomenal", mas "perversa para a integridade acadêmica". Na opinião dela, o robô cria uma injustiça em relação àqueles que se esforçam para produzir um trabalho original e autêntico. Entrevistados por canais de televisão, universitários franceses disseram que a ferramenta é boa para fazer resumos, economiza pelo menos 30% do tempo em pesquisa, e serve de inspiração para que eles desenvolvam outras ideias. O ChatGPT pode estimular a imaginação, mas não vai substituir um texto autoral, resultado de uma reflexão acadêmica que produz conhecimento novo. Na França, os professores têm experiência em detectar plágio e amedrontam os alunos sobre esse tipo de fraude. Há bastante tempo existem ferramentas que ajudam a detectar se o estudante copiou trechos de um livro, de um autor conhecido ou de um colega veterano. O Ministério da Educação Nacional diz que acompanha o debate sobre essa inteligência artificial na sociedade, mas estuda, principalmente, de que forma ela poderia ser usada como uma ferramenta pedagógica. Outra questão controversa é a possibilidade de o ChatGPT propagar desinformação, simplesmente porque ele armazena em seu banco de dados informações de todos os tipos de fonte, inclusive duvidosas.  Medo do progresso? Um engenheiro francês brilhante, dono de grande cultura, Yves Montenay, disse em um artigo nesta semana que os franceses deveriam ficar contentes com a qualidade dos textos produzidos pelo robô. As respostas do ChatGPT são redigidas em um francês de alto nível. Nesse aspecto, a ferramenta representa uma esperança de salvar a diversidade linguística e acabar com o "franglês", uma mistura de inglês e francês popularizada pelos millenials e a geração Z.  No mundo dos negócios, os franceses têm o hábito de utilizar abreviações, siglas e muitas expressões em inglês, criando uma linguagem cifrada e incompreensível, para desespero dos puristas.   Alguns intelectuais e acadêmicos dizem que a polêmica atual é a mesma do tempo em que surgiram as calculadoras. Inicialmente, proibiram o uso das máquinas nas escolas, porque o aluno tinha que aprender a fazer cálculos matemáticos de cabeça. Depois, a calculadora foi liberada e o ganho de tempo não prejudicou o desenvolvimento das novas tecnologias, muito pelo contrário. Uma pesquisa de maio do ano passado feita pela empresa de consultoria Mazars mostrou que 38% dos franceses não sabem como funcionam os algoritmos e a inteligência artificial; 19% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar do tema. A fratura digital também permanece uma realidade no país. Estudos mostram que dos 67,7 milhões de habitantes, 14 milhões de franceses têm dificuldades para utilizar ferramentas digitais. É um dado preocupante diante do avanço da desmaterialização que está se generalizando em bancos, no comércio e nos procedimentos administrativos dos serviços públicos.
    2/3/2023
    12:01
  • França: usuários do TikTok acreditam mais em fake news do que na ciência
    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) neste mês apontou para um fenômeno preocupante entre jovens de 11 a 24 anos: a desconfiança na ciência. O motivo é a forte propagação de fake news que vem sendo observada principalmente no TikTok. Os números são surpreendentes: apenas 33% dos jovens franceses acreditam que a ciência é benéfica para a humanidade. Outros 41% pensam que a ciência é indiferente. Essa desconfiança deu um grande salto em 50 anos. Segundo o Ifop, em 1972, 55% dos franceses acreditavam na ciência. Na era das redes sociais, as fake news atraem a atenção das gerações mais jovens na França. Entre os entrevistados, 73% reconhecem utilizar ao menos uma plataforma com frequência – Tik Tok, Instagram, Snapchat ou Facebook. Mas a preferida é, sem dúvida, a utilizada para a produção e divulgação de vídeos e coreografias, usada não apenas para diversão, mas como fonte de informação. Definitivamente, a chamada “geração TikTok” não é adepta dos veículos tradicionais de jornalismo. Apenas 23% dos franceses de 11 a 24 anos assistem a jornais na TV. Em sites ou aplicativos de notícias, essa audiência é ainda menor: 17%. A mídia que menos atrai o interesse dos jovens da França é a imprensa escrita tradicional: 10% dos entrevistados pelo Ifop leem jornais em papel. O resultado de se informarem quase exclusivamente pelas redes sociais é confiarem em teorias conspiracionistas. Nessa mesma faixa dos 11 aos 24 anos, um a cada seis entrevistados disse acreditar na teoria da Terra plana, segundo a qual o planeta não teria o formato geoide. Além disso, quase 30% dessa categoria etária na França defende o Criacionismo e não pensa que os seres humanos são fruto de uma longa evolução de espécies, mas de algo sobrenatural ou espiritual. Um a cada quatro tiktoker francês recusa as teorias evolucionistas, que são as adotadas pelos cientistas e ensinadas na escola. Outro boato popular entre os jovens franceses é o chamado “Moon Hoax”, segundo o qual os astronautas nunca pisaram na Lua. Para 20% dos entrevistados pelo Ifop, Neil Armstrong jamais protagonizou a célebre cena transmitida ao vivo, em 1969, descrita por ele como “um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco salto para humanidade”. A segunda teoria da conspiração preferida dos jovens na França é a de que os extraterrestres teriam tido um papel fundamental entre as primeiras civilizações. Assim, 20% dos entrevistados com entre 18 e 24 anos acredita que as pirâmides egípcias foram erguidas por alienígenas. Personalidades têm mais credibilidade que cientistas Em 2020, um tuíte do proprietário da Tesla e da SpaceX, o bilionário sul-africano Elon Musk, deixou a comunidade científica de cabelo em pé. Segundo ele, é “óbvio” que as pirâmides do Egito foram construídas por aliens. Na época, a declaração do bilionário irritou o governo egípcio, que rebateu a informação. Vários arqueólogos, especialistas nas pirâmides egípcias e cientistas criticaram o comportamento de Musk, apontando que há muitas provas de que esses monumentos foram erguidos por milhares de pessoas. No entanto, com a legião de seguidores e admiradores que Musk tem, a falsa informação parece ter mais força e é adotada como verdade por muitos jovens. Esse culto a personalidades famosas ganha uma menção especial na pesquisa do Ifop, que cita o ex-presidente americano Donald Trump, famoso por propagar ideias controversas e notícias duvidosas. Na França, 31% dos jovens acredita na teoria do magnata de que as eleições americanas de 2020 foram fraudadas. Também pensam que o ataque contra o Capitólio, em 2021, não existiu e foi algo inventado pela mídia para acusar os partidários de Trump.  Os próprios jovens entrevistados pelo Ifop reconhecem confiar em qualquer informação propagada por parte de personalidades que admiram. No TikTok, a situação é ainda mais grave: 41% dos usuários de 11 a 24 anos creem nos conteúdos postados por influenciadores, principalmente se eles tiverem um grande número de seguidores. Não é à toa que a Assembleia da França está debatendo um projeto de lei para enquadrar os influenciadores. A medida deve se focar naqueles que vendem produtos, que têm parcerias com marcas e interesses comerciais por trás dos conteúdos. O governo francês também criou um site para pedir a opinião dos cidadãos sobre esse projeto de lei e pedir ajuda para definir a atividade do influenciador, seus direitos e deveres.
    1/27/2023
    13:13
  • Reforma da Previdência de Macron é considerada injusta entre gerações
    Ao final da aposentadoria, a geração de franceses que nasceu na década de 1950 e desfruta atualmente de uma vida mais tranquila – os chamados "baby boomers" – terá recebido um montante total de pensões duas vezes maior do que a soma das contribuições revertidas ao caixa da Previdência. Esta é uma das inúmeras injustiças apontadas por franceses contrários ao projeto de reforma apresentado pelo governo no início do mês, que levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas do país, na quinta-feira (19). A geração que nasceu nos anos 1950 e desfruta atualmente da aposentadoria na França pagou contribuições relativamente baixas ao sistema, parou de trabalhar cedo – aos 60 anos ou menos –, e recebe pensões razoavelmente dignas. Porém, com a variação da demografia nas décadas seguintes, o valor da contribuição foi aumentando, assim como o número de anos trabalhados para manter o equilíbrio do sistema. O resultado é que, hoje, para sustentar a aposentadoria dos pais, os filhos terão de pagar cotizações mais elevadas e trabalhar por mais tempo, para receber, no final, pensões de aposentadoria mais baixas.  Este fenômeno pode ser explicado pela demografia francesa e por um efeito estrutural ligado à implementação do sistema de pagamento por repartição, baseado na solidariedade dos que trabalham para sustentar aqueles que cessaram a vida ativa.  O economista Maxime Sbaihi mostrou essa projeção com um gráfico em sua conta no Twitter: O objetivo do reforma é reequilibrar o caixa da Previdência, que aponta para uma previsão de déficit nos próximos anos. Um dos aspectos apontados como injusto para se alcançar essa meta é que o esforço financeiro recai basicamente sobre os trabalhadores, e não sobre os empregadores. Os sindicatos dizem que o aumento da taxa obrigatória de contribuição das empresas seria suficiente para não precisar elevar o período de contribuição – embora a medida pudesse ter impacto sobre o nível de emprego no país. As manifestações ocorridas nessa quinta-feira contra o projeto de reforma, reafirmado como "justo e necessário" pelo presidente Emmanuel Macron, reuniu entre 1 e 2 milhões de pessoas nas ruas, 400 mil apenas em Paris. A queda de braço se instalou entre o governo e a frente sindical unida que convocou a greve, aliada aos 72% de franceses que rejeitam a reforma, segundo uma pesquisa do instituto Harris Interactive-Toluna, encomendada pela emissora RTL e a AEF Info. O projeto de lei do governo aumenta a idade mínima legal de aposentadoria para 64 anos, contra 62 anos atualmente, e amplia para 43 anos o tempo de contribuição para acesso à pensão integral. Isto é, sem essas duas condições reunidas, a idade mínima e os 43 anos de contribuição quitados, o trabalhador é penalizado com descontos altíssimos nas pensões. 31 de janeiro: nova greve As oito centrais sindicais que encabeçam o movimento convocaram um novo dia de greve e manifestações em 31 de janeiro. Até lá, elas pretendem mobilizar os assalariados que temem uma luta perdida. O direito à greve é uma garantia constitucional no país, mas o grevista tem o salário descontado pelo dia de ausência. Em tempos de inflação elevada, muitos não podem abrir mão de um dia trabalhado para pagar as contas no final do mês. Até lá, as lideranças sindicais pretendem incitar debates internos nas empresas e discutir meios de ação alternativos, além da tradicional panfletagem nas feiras livres dos fins de semana.  Saiba mais sobre este impopular projeto de reforma aqui.
    1/20/2023
    12:00
  • Caso de deputado condenado por violências domésticas gera racha em partido da esquerda na França
    O caso do deputado francês Adrien Quatennens, condenado por violências domésticas em dezembro, suscita uma forte polêmica na França. Apesar das críticas e de ter sido temporariamente suspenso por seu partido França Insubmissa, ele resolveu retornar às atividades na Assembleia Nacional nesta semana. A atitude do político vem resultando em um racha na maior legenda da esquerda do país. Para Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, Adrien Quatennens tem razão de retomar as atividades na Assembleia Nacional. Considerado como um tutor do deputado, o ex-candidato à presidência acredita que seu “afilhado” foi suficientemente punido, após ter sido condenado a quatro meses de prisão com sursis por violências domésticas, no final de dezembro, e ser suspenso até abril da legenda da esquerda radical. Mas a opinião de Mélenchon não é unanimidade dentro do partido. Outras lideranças do França Insubmissa, principalmente mulheres, exigem a renúncia de Quatennens. É o caso da deputada Clémentine Autain e a eurodeputada Manon Aubry, que acreditam que ele não pode mais ocupar um cargo político e que a insistência em se agarrar à função de deputado está prejudicando a imagem do partido. Já para a deputada Clémence Guetté, Quatennens não deveria mais ser associado ao partido “já que está suspenso até abril". “Ele não é deputado da França Insubmissa”, ressaltou, nesta semana, em entrevista à Franceinfo. No entanto, ela não descarta que o colega tenha “direito a uma reabilitação”, ressaltando “a exigência de respeitar os princípios feministas” do partido. Outra liderança do França Insubmissa, o deputado Alexis Corbière, diz que o condenado poderá voltar a exercer suas atividades normalmente em três meses, mas impõe condições. “Dependendo da atitude de Quatennens, veremos se ele voltará ao grupo. Ele está suspenso até 13 de abril e depois haverá uma revisão, o que significa que vamos discutir tudo isso novamente”, disse, em entrevista ao canal de TV France 2. Violências domésticas Adrien Quatennens, 32 anos, foi condenado em dezembro passado a quatro meses de prisão com sursis por ter cometido violências contra a esposa entre outubro e dezembro de 2021. O caso veio à tona depois que o jornal francês Le Canard Enchaîné revelou que Céline Quatennens registrou uma queixa na polícia acusando o marido de a ter agredido quando ela anunciou sua intenção de se divorciar. As revelações resultaram em uma imensa polêmica que mobilizou a classe política e deixou o partido França Insubmissa – célebre por seu posicionamento progressista e defesa de valores feministas – em uma situação delicada. Alguns dias depois, Quatennens publicou um comunicado no Twitter admitindo que havia agredido a esposa. Em um longo relato, o deputado reconheceu ter protagonizado brigas e confrontos físicos com a mulher. Em um dos episódios, ele diz ter agarrado o pulso dela. Em outro, confiscou seu celular e a empurrou, resultando em um ferimento no cotovelo da esposa. Quatennens revelou também que um ano antes do pedido de divórcio, durante uma discussão com a mulher, deu um tapa em seu rosto. No comunicado publicado no Twitter, Adrien Quatennens também pediu desculpas públicas, explicou que sua natureza não é violenta e disse se arrepender de ter protagonizado essas agressões. No mesmo documento, ele anunciou sua renúncia ao cargo de coordenador do partido França Insubmissa, se colocando à disposição da justiça francesa e indicando que o casal começaria o processo de separação. Depois da condenação, Quatennens foi temporariamente suspenso da legenda, mas passou a mencionar a possibilidade de retornar às funções de deputado. Dizendo-se vítima de uma linchagem midiática, e apontando para a necessidade de honrar seu mandato. “Paguei caro em todos os planos. Não cederei”, afirmou, em entrevista ao jornal francês La Voix du Nord. Retorno à Assembleia Nacional Na quarta-feira (11), Quatennens suscitou uma forte indignação da classe política ao chegar na Assembleia para participar de uma comissão que discute a reforma do corpo diplomático francês. No entanto, suspenso por seu partido, ele pode apenas assistir às atividades parlamentares, sem o direito de se pronunciar ou de votar. Muitos deputados não hesitaram em exaltar sua revolta com a atitude de Quatennens. Aurore Bergé, líder do partido governista Renascimento, majoritário na Assembleia, denuncia o retorno do esquerdista à Assembleia como algo “anormal”, que não pode ser considerado banal. O também centrista Sylvain Maillard afirmou que sua volta é “inaceitável”. A líder da extrema direita Marine Le Pen sugeriu que Quatennens renuncie e tente retornar à vida política nas próximas eleições. Já a vereadora ecologista Raphaelle Rémy classificou a atitude do deputado como “vergonhosa” e se diz indignada contra todos os políticos que apoiam o comportamento do esquerdista. Após o retorno de Quatennens, deputados do partido Renascimento anunciaram a criação de um projeto de lei para tornar inelegíveis pessoas condenadas por violências domésticas. O texto começará a ser debatido no próximo mês de março.
    1/13/2023
    13:59
  • Coletes amarelos voltam às ruas na França contra reforma da Previdência de Macron
    O ano de 2023 começou com a perspectiva de forte mobilização social na França pela insistência do presidente Emmanuel Macron em querer aprovar, até o mês de julho, uma reforma da Previdência destinada a aumentar a idade mínima de aposentadoria dos atuais 62 anos para 64 ou 65 anos. Os detalhes do projeto de lei serão apresentados na semana que vem, no dia 10. Mas essa reforma impopular, rejeitada por dois terços da população, segundo uma pesquisa do instituto Ifop, e também por todas as organizações sindicais de trabalhadores do país, evidencia um desgaste importante de Macron perante a opinião pública e sinaliza meses de protestos pela frente. Grupos de coletes amarelos retornam às ruas neste sábado (7) para protestar contra o projeto, o aumento dos custos da energia, dos combustíveis e da inflação, assim como a falta de votação parlamentar na aprovação do Orçamento de 2023. Motivos para reclamar não faltam, mas ninguém sabe se o movimento vai ganhar força como aconteceu em 2018, quando surgiu, motivado na época pelo aumento dos preços dos combustíveis. Há páginas do Facebook com chamados para passeatas em Paris e outras cidades francesas. Uma outra manifestação, da oposição de esquerda e de organizações estudantis, já está marcada para 21 de janeiro.  A rejeição massiva dos franceses à reforma da Previdência tem múltiplas razões. As condições de vida estão mais difíceis com o retorno da inflação. Os salários estão achatados, a guerra na Ucrânia pesa no moral das pessoas, e os franceses têm notado no cotidiano uma deterioração dos serviços públicos. Em dezembro, os ferroviários fizeram greve no fim de semana do Natal, faltam motoristas de ônibus e metroviários na região parisiense, os hospitais públicos enfrentam a pior crise em décadas, por falta de médicos e enfermeiros. Mas o principal argumento de resistência à reforma é a dificuldade de manter o emprego depois dos 55 anos.  O próprio Ministério do Trabalho admite que só a metade das pessoas – 56% – na faixa etária de 55 a 64 anos permanece empregada na França, um percentual que nos países escandinavos chega a 90% nessas idades. A Alemanha também dá muito mais oportunidades de trabalho aos sêniores. Na França, como historicamente as empresas empurram a pessoa à demissão ou mandam embora na última década da carreira, e elas não encontram mais emprego, mesmo tendo contribuído durante anos para o sistema previdenciário, muitos aposentados vivem com pensões de baixo valor. Para contornar a situação, o ministro do Trabalho, Olivier Dussopt, cogitou criar um "índex" para obrigar as empresas a publicar anualmente o número de pessoas que mantêm empregadas com mais de 55 anos. Na avaliação da opinião pública, soou como conversa para boi dormir. Por que trabalhar mais? O governo diz aos franceses que eles precisam trabalhar por mais tempo para preservar a universalidade do sistema e torná-lo mais justo. Ainda mais em um contexto em que muitos países europeus já aumentaram a idade mínima das aposentadorias para 65 ou até 68 anos. Na proposta, que muitos apontam como ideológica e não técnica, o Executivo promete garantir uma pensão mínima de aposentadoria de € 1.200, que hoje corresponde a 85% do salário mínimo. Isto dá uma ideia do quanto as pensões podem ser minoradas, uma vez que elas sequer alcançam o valor do salário mínimo em vigor.  Governo tenta convencer com apelo a mulheres As autoridades também alegam que a reforma é essencial para fazer justiça às mulheres, que não teriam mais o tempo de licenças usadas para cuidar dos filhos descontadas do tempo de contribuição. Mas especialistas dizem que a maior injustiça, que a reforma não corrige, é que as pensões pagas às mulheres são 40% inferiores às dos homens, por causa da desigualdade salarial crônica ao longo da carreira.  Outro fator de resistência é que já existe uma reforma recente, que entrou em vigor em 2020, aumentando gradualmente o tempo de contribuição para que uma pessoa tenha direito à pensão integral. O calendário de aplicação dessa reforma, aprovada durante a presidência do socialista François Hollande, em 2014, já obriga quem está atualmente no mercado a trabalhar até 65-67 anos se quiser obter o benefício da pensão integral. Em 2035, serão exigidos 43 anos de tempo mínimo de contribuição.  Intenso debate na mídia Durante as negociações, que foram conduzidas pela primeira-ministra Élisabeth Borne, as centrais sindicais tentaram garantir a continuidade de vantagens para quem começou a trabalhar cedo, antes dos 20 anos, e de 15 categorias que beneficiam de regimes especiais de aposentadoria. O projeto de Macron acaba com os regimes especiais, mas promete levar em conta as carreiras longas e manter vantagens para alguns critérios de periculosidade. Professores e trabalhadores do setor nuclear perderiam benefícios.  Neste momento, há intenso debate na mídia e na sociedade sobre a necessidade ou não de se fazer esta reforma. Muitos especialistas dizem que bastava aumentar ligeiramente a contribuição previdenciária para todos, algo em torno de € 4 por mês, que o risco de déficit e desequilíbrio das contas estaria resolvido.  Macron aposta em vencer pelo cansaço, contando que os trabalhadores, com a alta do custo de vida, não poderão abrir mão de vários dias de salário para fazer greve. Para o presidente, o que está em jogo é sua imagem de reformador e este é o trunfo político que ele quer deixar como legado no final de dois mandatos. O governo não tem mais maioria absoluta no Parlamento, então depende da oposição para aprovar a reforma. O partido da direita republicana (LR) sempre defendeu o aumento da idade mínima da aposentadoria para 65 anos em seu programa, e provavelmente votará junto com o governo. Mas vários deputados conservadores já disseram que aumentar de 62 para 64 anos pode ser a proposta que não esticaria demais a corda e poderia vingar no Parlamento.
    1/6/2023
    11:24

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