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  • Menopausa: Especialistas rebatem mitos e apontam vantagens para a qualidade de vida
    Se suas associações imediatas ao assunto menopausa são a um período ruim, sintomas terríveis e tratamentos arriscados, está na hora de rever seus conceitos. Especialistas mostram que esta é apenas mais uma fase natural da vida das mulheres, que os tratamentos evoluíram e, além de agirem contra os sintomas, garantem a qualidade de vida após os 40 anos. Andréia Gomes Durão, da RFI “A ideia mais difundida em relação à menopausa é negativa. Ela é pensada como uma fatalidade, como se o céu desabasse sobre a cabeça da mulher. Não é nada disso. A menopausa é um fenômeno natural. Da mesma forma que há a puberdade, e a mulher vai ter sua menstruação, em outro momento da vida ela vai parar de menstruar. É um fenômeno completamente natural, mas que pode ter efeitos desagradáveis”, destaca o médico Abdoulaye Diop, ginecologista obstetra da Clínica Bellevue, em Dakar, no Senegal. Um dos primeiros esclarecimentos que o especialista sugere é distinguir a menopausa – interrupção definitiva dos ciclos menstruais – da pré-menopausa, período de transição que marca o fim da vida reprodutiva da mulher, quando surgem os sintomas mais conhecidos, como perda da libido, alterações de memória, secura vaginal, enxaquecas, perturbação do sono, ganho de peso, desânimo e fragilidade óssea. “A menopausa mesmo não é um problema. A menopausa significa, depois dos 40 anos, ficar mais de 12 meses sem menstruar. O que causa problema é o período da pré-menopausa, a chamada perimenopausa. Este acontece de 12 a 24 meses antes da menopausa e é o momento em que há muitos sintomas desagradáveis para a mulher”, esclarece Diop. Mas se este período de transição pode representar sintomas desagradáveis para umas mulheres, a menopausa pode ser sinônimo de melhor qualidade de vida para outras. O fim dos ciclos menstruais põe fim também a todos os problemas a estes associados, como cólicas e dores de cabeça. “A menopausa é uma boa nova, por exemplo, para as mulheres que têm endometriose. Porque os mecanismos da endometriose são intimamente ligados ao ciclo menstrual. E durante a menopausa não há ciclo menstrual, então a maior parte das lesões, dores da endometriose, vão desaparecer”, lembra o médico. Sem respostas Algumas questões em relação a esta fase da vida das mulheres, infelizmente, ainda seguem sem respostas. A ciência ainda não explica porque algumas mulheres têm sintomas mais severos do que outras, ou ainda porque algumas têm a chamada menopausa precoce, antes ou muito antes dos 40 anos, ou tardia, muito depois dos 50. O médico acrescenta que não são encontradas relações entre o início e o fim dos ciclos menstruais – uma mulher que começa a menstruar cedo não necessariamente entrará cedo na menopausa – e que também não existiriam evidências genéticas ou de hereditariedade em casos de menopausas precoces ou tardias. Assim como o estilo de vida sexual também não influenciaria nesse contexto. Mas não ter explicações não impede que algumas situações tenham solução. E se engana, mais uma vez, quem pensa que os tratamentos para a menopausa se aplicam apenas para combater os sintomas. A ginecologista Lorena Motta, sócia da Clínica Barufaldi, em Ribeirão Preto, São Paulo, é enfática, e vê na reposição hormonal uma importante aliada a uma grande melhoria na qualidade de vida das mulheres a partir dos 40 anos. A médica admite que as dúvidas sobre os tratamentos de reposição hormonal ainda figuram no imaginário feminino, inclusive de algumas pacientes que ela recebe em seu consultório. Elas se perguntam sobre o risco de câncer ou porque deveriam fazer a reposição hormonal se algumas mulheres não o fazem durante a menopausa. “Hormônio é vida” A ginecologista enfatiza que, além de combater os sintomas da menopausa, que podem ser extremamente desagradáveis, a reposição hormonal também pode significar prevenção contra muitos problemas de saúde que surgem nesta fase, a exemplo da osteoporose. “A expectativa de vida está aumentando cada vez mais, e o ideal é que a gente mantenha a qualidade de vida com a longevidade e, para isso, nós falamos na reposição. Hormônio é vida”, sublinha a médica. A especialista explica que muitos dos mitos em torno dos tratamentos hormonais se devem a estudos já considerados obsoletos, alguns datando de 2002. E que o melhor antídoto para a desinformação é a orientação de um ou uma ginecologista e a realização de exames que atestem o real estado de saúde dessas mulheres, para acessarem o tratamento mais adequado a cada uma delas.   “Para isso existem alguns tipos de reposição hormonal. Tem aquele em que o médico prescreve e a gente compra na farmácia e é igual para todo mundo, seja para aquela mulher que é extremamente saudável ou não, porém também existe a reposição hormonal que é chamada de bioidêntica ou isomolecular, que é uma reposição de hormônios mais semelhante à estrutura molecular do corpo da mulher. Com isso, conseguimos fazer a reposição dos três hormônios [progesterona, testosterona e estradiol] com melhores benefícios e menores efeitos colaterais”, defende a ginecologista. Ela explica que, diferentemente da reposição hormonal oral, disponível nas farmácias, o método isomolecular pode ser encontrado em apresentação tópica, em gel para aplicação sobre a pele, ou em dois tipos de implantes, o absorvível, com efeito de 6 a 8 meses, ou o com duração de um ano, mas que precisa ser removido. Tratamentos à parte, os especialistas são uníssonos ao afirmarem que o essencial durante a menopausa é o acompanhamento da paciente por seu ginecologista, além de um estilo de vida saudável, garantido por uma alimentação equilibrada e atividades físicas regulares.
    8/9/2022
    5:57
  • Como a invasão da Ucrânia destruiu o sistema de saúde do país
    A invasão da Ucrânia, que começou no dia 24 de fevereiro, teve um forte impacto no sistema de saúde do país, que já era deficiente antes da guerra. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 269 ataques atingiram hospitais, clínicas e outras estruturas, mas é provável que esse número seja bem mais elevado.  A situação representa uma grave ameaça para milhões de ucranianos. No leste do país, a estimativa é de que apenas 15% dos profissionais de saúde ainda atuem na região. Diante da precariedade e da falta de perspectiva sobre o fim do conflito, associações e ONGs se organizam para transferir feridos de guerra e pacientes com doenças crônicas para outras regiões, além de assegurar o atendimento básico, que inclui a vacinação e o acompanhamento das gestantes, por exemplo. O coordenador da Organização Médico Sem Fronteiras na Ucrânia, Gustavo Fernandez, contou ao programa Priorité Santé, da RFI, que as condições de vida da população, sob ameaça constante de ataques e vivendo no subterrâneo, estão cada vez mais difíceis. A retirada dos feridos é sempre uma operação complexa, descreve, em função da cidade em que ela ocorre. “Tentamos nos manter em contato com os voluntários locais e as pessoas que conhecem bem a situação interna. Também buscamos nos manter próximos dos médicos e dos enfermeiros que continuaram nas cidades e conhecem bem a população para fornecer, no dia a dia, o material para garantir a continuidade dos cuidados médicos”, declarou. A equipe também deve estar pronta para atuar imediatamente em situações urgentes, que incluem, por exemplo, a transferência de pacientes durante os bombardeios. “É muito arriscado, mas temos que tentar instaurar um sistema que permita esse tipo de evacuação médica da população civil”, ressalta. Duas Ucrânias A impressão, diz o médico, é de que hoje existem “duas Ucrânias”: há regiões próximas do front, que vivenciam a guerra mais de perto, e outras onde a vida é relativamente normal. Os hospitais nesse local, entretanto, estão sobrecarregados. “Quanto mais nos distanciamos do front, cruzamos com mais pessoas que deixaram tudo para trás e hoje vivem nas grandes cidades, onde o sistema ainda é funcional, e onde chega a ajuda internacional, que justamente apoia os sistemas locais. Mas é claro que os deslocados sofrem de sequelas psicológicas graves”, observa. Muitos ucranianos idosos, que vivem perto das áreas de combate, também não têm condições físicas de deixar seus vilarejos, onde passaram toda a vida. Essa situação, lembra o coordenador da ONG, aumenta a possibilidade do surgimento de doenças que vão se espalhar entre os pacientes. “Em uma das visitas que fizemos, encontramos 50 idosos que moravam no subsolo de um hospital, na escuridão total. Era um lugar estreito, úmido, sem remédios, água ou comida, e que tinham apenas o apoio de poucos membros da administração hospitalar que continuaram na região, e de voluntários que ficavam fazendo idas e voltas para ajudá-los”, descreve. O correspondente da RFI na Ucrânia, Stéphane Siohan, conta que o sistema de saúde, mesmo antes da guerra, já apresentava vários problemas. Um deles, diz, é a corrupção. Como os salários são baixos, algumas práticas se tornaram normais. Ele conta, por exemplo, que quando seu filho nasceu, há cinco anos, teve que distribuir dinheiro para a equipe da maternidade. Seguridade Social “Na realidade, são os pacientes que financiam o sistema de saúde, e não o Estado. Houve tentativas de reformas nos últimos anos, com a criação de uma Seguridade Social, mas ainda estamos em um sistema de transição, pós-era soviética, esgotado, mas que tenta se inspirar da experiência europeia. Agora a guerra chegou, prejudicando esse processo”, analisa. O anestesista francês Raphaël Pitti, especializado em Medicina de Guerra, contou à RFI que a gravidade da situação na Ucrânia pode ser comparada à guerra na Síria, com intensos bombardeios contra população civil. Por isso, diz, ele e sua equipe criaram um centro de formação para os profissionais ucranianos, em Metz, no leste do país. Os cursos começaram no mês de julho. “De forma geral, o que é importante é aprender a gerenciar e organizar, logisticamente, o fluxo de pacientes. Quando há um ataque, 50% das vítimas vão morrer de asfixia ou hemorragia. É importante formar os urgentistas ao damage control, ou seja, o controle de danos: retirar a vítima e realizar o pronto atendimento para que as chances de sobrevivência aumentem, antes de levá-la para o hospital”, explica. Nos hospitais, os médicos formados na França também poderão aplicar métodos de cirurgia de guerra, conhecidos na Ucrânia apenas nos hospitais militares. Paralelamente, é importante também ressaltar o papel importante dos voluntários, explica o correspondente da RFI na Ucrânia. Muitos civis se engajam nas forças ucranianas, e durante o combate, dão a primeira assistência aos feridos no front. De toda forma, pelo menos nos próximos meses, a guerra deverá estar no centro do cotidiano de muitos ucranianos que ficaram no país: não há previsão, por enquanto, de que o conflito chegue ao fim.
    8/2/2022
    6:21
  • Tudo o que você queria saber sobre a Covid-19, mas não tinha para quem perguntar
    Vacinas protegem contra a infecção? O que acontece se eu pegar a Covid-19 várias vezes? É preciso retomar as medidas de restrição? Vamos ter que conviver para sempre com vírus? A RFI Brasil entrevistou o infectologista francês Pierre Tattevin, do hospital universitário de Rennes, na Bretanha, que respondeu a essas e outras questões. Taíssa Stivanin, da RFI Mais de dois anos após o início da epidemia de Covid-19, já está claro que o SARS-CoV-2 veio para ficar. Ainda há muitas questões em aberto em relação aos seus efeitos sobre a saúde a médio e longo prazo. Os cientistas também ainda não sabem como as infecções e a vacinação agem sobre a imunidade celular – aquela construída ao longo da vida, em função dos micróbios que cruzamos e de nossos perfis individuais. Já há, entretanto, algumas certezas: o SARS-CoV-2 tem um alto potencial de mutação e seus anticorpos – pelo menos os da linhagem ômicron, desaparecem rapidamente. Com o tempo, o medo em relação à doença diminuiu para muitos, mas "viver com o vírus" tornou-se mais uma necessidade do que uma escolha.  “As pessoas encontraram suas próprias soluções para conviver com o SARS-CoV-2”, diz o infectologista francês. “A Covid-19 deixou de ser prioridade para uma boa parte da população”, observa. Leia a entrevista abaixo. RFI Brasil- Quais são as possíveis consequências de contrair várias vezes a Covid-19? Pierre Tattevin- Vários estudos foram publicados sobre esse assunto. O que faz com que uma pessoa fique mais ou menos doente ao contrair a Covid-19 é a imunidade no momento da infecção, que é variável, mas influenciada pela vacinação e as ondas de contaminação, que protegem a população. As infecções ômicron, causadas pela variante BA5, que é dominante, são menos graves em relação às cepas anteriores.  Não podemos descartar, entretanto, a possibilidade de que infecções sucessivas possam ter consequências para a saúde. Não conhecemos a Covid-19 suficientemente bem para eliminar essa hipótese, mas a verdade é que não temos a impressão de que, para a maioria das pessoas, ter pego a Covid-19 trará um impacto a longo prazo. A Covid longa existe, claro, e pode ser um pesadelo, mas não representa a maioria. A maior parte das pessoas que contraem a doença não se lembrará mais algumas semanas depois e poderá retomar sua vida de antes. RFI- A infecção natural protege por quanto tempo? PT -  A proteção gerada pela infecção ou pela vacina não desaparece do dia para a noite. Ela enfraquece aos poucos, e mais rápido do que a gente imaginava, mas não desaparece em uma semana ou um mês. Pouco a pouco, vamos perdendo a imunidade. Depende também do aparecimento de uma nova variante. Se você pega a BA5, mas aparece outra cepa, você estará bem protegido contra a BA5 durante cerca de dois meses, mas não contra essa nova variante. Há três parâmetros que fazem com que não possamos responder a essa questão de maneira simples. Em primeiro lugar, os mais jovens e sem outras doenças têm uma boa imunidade e estarão protegidos por mais tempo. Em segundo lugar, a imunidade vai diminuindo aos poucos. É difícil afirmar em que momento a proteção diminui ou desaparece. Em terceiro lugar, estamos protegidos da variante que nos contaminou, mas como sabemos, outras aparecem ao longo do tempo. O recado é que não devemos deixar para lá todas as precauções só porque pegamos a Covid-19 há dois meses. É preciso mantê-las, em função do seu risco individual, e não se sentir totalmente protegido porque já pegou a doença três vezes ou há pouco tempo. RFI - Quais são as precauções que devem ser mantidas? PT- Do lado de fora, em geral o risco é baixo. Encontros em lugares fechados entre pessoas sem fatores que predispõem a formas graves também não representam um grande problema. Se, por exemplo, eu me colocasse no lugar de uma pessoa de 40 anos, com boa saúde, mas que trabalha com pessoas que têm fatores de riscos ou mora com alguém que está fazendo uma quimioterapia para tratar um câncer, eu usaria uma máscara (Ffp2) no escritório. Mas se eu moro e trabalho com pessoas jovens e saudáveis, não há razões para manter o uso da máscara. RFI- Por que pegamos os vírus mesmo vacinados? PT- A vacina evita que o vírus entre profundamente no organismo e provoque uma doença grave, mas não impede que o vírus entre pelo nariz e se “instale” nas fossas nasais. Além disso, todas vacinas foram fabricadas com a cepa de Wuhan, em 2020, e funcionam menos com a ômicron. Os imunizantes não protegem 100% e nem por muito tempo contra a Covid-19, mas o reforço é importante para as pessoas com mais de 60 anos ou fatores de risco. A vacina aumenta a taxa de anticorpos e impede as formas graves. Para o resto da população, na França, é provável que a próxima vacina disponível seja a bivalente, que protege contra a ômicron. Essa é a hipótese mais provável. A vacina estará rapidamente disponível nos Estados Unidos e em outros países: é fácil fabricar os imunizantes à base de RNA. Acredito que a campanha de vacinação na França será retomada com vacinas mais adaptadas. RFI- As vacinas nasais podem ser uma solução para o controle da epidemia? PT - A vacinação local, no nariz, geraria, em teoria, uma imunidade diretamente onde o vírus entra no organismo, chamada de imunidade de mucosa. Seria um grande progresso. Primeiro porque seria fácil de administrar – já existem vacinas como essa contra a gripe. Além de evitar a injeção e a toda a logística envolvida, esse imunizante permitirá gerar anticorpos exatamente onde o vírus entra. Isso protegeria o paciente da infecção e as pessoas próximas da transmissão. Esta solução traz, sem dúvida muita esperança no desenvolvimento das vacinas, e acabará sendo criada. Mas, por hora, não há nenhuma vacina desse tipo realmente eficaz contra a Covid-19. Outro ponto importante, que traz esperança, é que nos últimos dois anos a evolução da doença tem mostrado que o vírus tem se tornado mais contagioso e menos virulento. O fim da história pode ser esse: o vírus se tornará cada vez contagioso, como o do resfriado, mas as pessoas ficarão menos doentes. É uma hipótese plausível e, neste caso, não precisaremos mais nos preocupar com ele.
    7/26/2022
    5:05
  • Saúde e meio ambiente: como acertar os ponteiros do nosso relógio biológico
    Como nosso organismo enfrenta a correria do dia a dia, a irregularidade dos nossos horários e as noites curtas? O cronobiologista francês Damien Davenne, diretor de pesquisa da universidade de Caen, na Normandia, explica por que é fundamental respeitar o ritmo circadiano – a variação biológica que coordena o funcionamento do nosso organismo em 24 horas. Taíssa Stivanin, da RFI A flutuação fisiológica que organiza as funções orgânicas ignora o modo de vida urbano ocidental: ela é a mesma do tempo dos nossos ancestrais que viviam nas cavernas, alerta o pesquisador francês. Isso significa que, ao ficarmos acordados até tarde, por exemplo, estamos indo além dos limites impostos pela natureza para que nosso corpo funcione corretamente. “A base temporal do ser humano é a rotação terrestre e nós dependemos dela para viver. Nosso tempo se organiza em torno dessa rotação terrestre, ou seja, do dia e da noite. Desde que o homem apareceu, há 300 mil anos, temos exatamente os mesmos genes, poucas coisas mudaram. Nós funcionamos da mesma maneira há 100 mil ou 200 mil anos”, explica. As 24 horas de um dia determinam a programação do nosso relógio biológico. Os cronobiologistas, como o pesquisador francês Damien Davenne, estudam essa organização fisiológica dos períodos de atividade e de repouso do homem. O ritmo circadiano é controlado pelo hipotálamo, situado na base do cérebro, responsável pelo gerenciamento de um grande número de funções corporais. Entre elas, o apetite, a pressão arterial, a temperatura corporal e o metabolismo, além do sono, gerenciado pela melatonina – o hormônio que, basicamente, indica ao organismo que é hora de dormir. O aparecimento da luz artificial fez com que o homem pudesse ficar acordado à noite, o que consequentemente atrapalhou o ritmo circadiano. “Isso teve consequências catastróficas para o nosso ritmo biológico", diz o cientista francês. Não fomos programados para ajustar a luz de acordo com nossa vontade." Lâmpadas LED prejudicaram ainda mais o ritmo circadiano As doenças do sono eram raras antes do surgimento da eletricidade, no século 19. A tal ponto que alguns cientistas batizaram esses males de “Doença de Edison”, em referência a Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica.  Uma outra invenção, décadas mais tarde, viria desajustar ainda mais o nosso relógio biológico e nossa capacidade nata de diferenciar o dia da noite: a descoberta das lâmpadas LED, nos 60, um diodo semicondutor que, quando ativado, emite a chamada luz azul, um espectro luminoso responsável pela inibição da melatonina. Segundo Damien Davenne, a tecnologia veio, definitivamente, desajustar os ponteiros do nosso relógio biológico. A lâmpada LED emite ondas compatíveis com a percepção humana e, usada na maioria das telas, ela atrapalha a regulação do sono, afirma o especialista. "Nosso relógio biológico é particularmente sensível a essa luz e isso o desregula completamente. O organismo, por enquanto, não consegue se adaptar a isso”, reitera. A esperança é que novas tecnologias “corrijam” esse problema causado pelas lâmpadas LED. Estudos mostram que, no século 20, o homem perdeu cerca de duas horas de sono diárias, motivado também por questões comportamentais. A ideia de que dormir “é perda de tempo” integrou, por muito tempo, o imaginário ocidental. Diferenças individuais A maneira como o corpo de cada um vai reagir à falta de sono é muito pessoal, explica Damien Davenne. “Essa programação é individual e genética. Não podemos fazer nada. Somos mais matutinos ou noturnos, dormimos mais ou menos, e devemos nos inteirar desses parâmetros”, diz. Essas características individuais, ressalta, devem ser respeitadas para preservar a saúde de cada indivíduo. O risco, caso contrário, é enfrentar as consequências provocadas pela falta de sono. A primeira delas é cognitiva: a falta de descanso apropriado afeta os tecidos cerebrais e diminui a capacidade de nosso sistema imunológico para enfrentar as infecções. “O sono serve para que a gente se recupere das atividades realizadas quando estamos acordados e para que possamos continuar a viver. Temos que fazer o que estiver a nosso alcance para respeitar esse tempo de repouso", conclui o cronobiologista francês.
    6/21/2022
    5:51
  • Saúde e meio ambiente: o aquecimento global pode afetar o sono?
    Um estudo publicado em maio pela revista One Earth, feito por um grupo de pesquisadores da universidade de Copenhague, na Dinamarca, mostrou que a alta da temperatura terrestre está relacionada à perda, em média, de 44 horas de sono em um ano. A previsão é de que cada um deles poderia dormir, anualmente, 58 horas a menos até 2099. Taíssa Stivanin, da RFI A pesquisa foi realizada entre 2015 e 2017 e envolveu a análise dos dados de 47 mil pacientes de 68 países diferentes. Os participantes usaram um bracelete eletrônico de monitoramento do sono. Os cientistas em seguida compararam as informações fornecidas pelo aparelho com as condições meteorológicas locais. A conclusão é que, a partir de 25º C, à noite, a probabilidade de não ter um sono repousante aumenta em 3,5 vezes. A temperatura ideal para dormir é de cerca de 19ºC. Acima desse valor, o corpo não esfria o suficiente e isso faz com que as pessoas durmam mais tarde e acordem mais cedo. Até que ponto a alta das temperaturas pode afetar o sono e a saúde? A RFI pediu à psiquiatra francesa Sylvie Royant Parola, especialista em sono, que avaliasse os resultados publicados pelos pesquisadores dinamarqueses. De acordo com ela, a temperatura externa extremamente elevada impede de dormir porque o cérebro não consegue, literalmente, esfriar. “O cérebro detesta o calor. Se ele não consegue abaixar a temperatura durante a noite, ele se manterá alerta, como se estivéssemos acordados”, diz.  Para ela, o monitoramento de milhares de pessoas, em áreas geográficas diferentes, e ao mesmo tempo, é um dos aspectos mais inovadores do estudo, em termos epidemiológicos. “Demonstrar, com gráficos, que quanto mais a temperatura é elevada, mais o sono é curto, é interessante. Como vamos dormir em determinadas condições se o aquecimento global se acentuar ao longo dos anos? ”, questiona. O clima quente e seco é o pior para dormir, ressalta a especialista. A psiquiatra francesa alerta, porém, para o risco de conclusões precipitadas que correlacionem as mudanças climáticas ao sono e critica algumas das conclusões do estudo. “Será que esse cenário é algo que vai de fato se concretizar, e que vai fazer, como diz o estudo, que nosso sono seja modificado de maneira drástica? Ao ponto de gerar uma perda de horas de repouso? É um estudo prospectivo, ainda não temos nenhuma certeza de que as coisas vão evoluir dessa maneira”, reitera. Isso não desmerece a constatação, frisa, de que as altas temperaturas causadas pelo efeito estufa, no futuro, possam de fato diminuir o tempo de descanso noturno. Sesta, uma aliada do cérebro Existem soluções para ajudar o corpo quando a temperatura sobe demais e fica difícil dormir? Em países como a Espanha e a Grécia, por exemplo, muito quentes no verão, os moradores adaptam seus horários. Como as noites de sono são mais curtas, as sestas vespertinas já se incorporaram à rotina. Esse hábito pode ser muito benéfico para compensar noites mal dormidas, independentemente do aquecimento global, reitera a especialista francesa.  Ela lembra que outros fatores já contribuem para que o sono do homem moderno seja afetado de maneira duradoura. O principal deles é a industrialização e a emergência de um modo de vida que impede que as pessoas descansem quando sentem necessidade. Isso fez com que a “dormidinha” do meio da tarde, por exemplo, caísse em desuso, mesmo em países quentes, impactando na qualidade do sono, menos profuno. “Por diferentes razões, de ordem cronobiológica, temos dois momentos ideais para dormir: de noite, por volta das 3h da manhã, ou senão de tarde, no meio do dia”, explica.  Como esse ritmo foi estabelecido? Uma hipótese é que nossos ancestrais pré-históricos não podiam dormir a noite toda, já que estavam expostos aos riscos dos predadores ou tribos inimigas, por exemplo. A chegada da luz elétrica, em 1879, rompeu definitivamente com nosso funcionamento natural, que dependia do sol, das estações e dos riscos ambientais. Neste contexto, a sesta pode ser uma aliada importante para reestabelecer o que a psiquiatra francesa descreve como a fisiologia normal do sono. “Quando não dormimos o suficiente, estamos expostos a várias complicações, principalmente cardiovasculares. Mas há também consequências imunológicas. A imunidade pode cair, o metabolismo ser modificado, e o risco de desenvolver uma depressão é maior. ” A conclusão é que o aquecimento global pode induzir a população a ter menos horas de sono, o quem já vem ocorrendo há décadas com a industrialização. Mas, é possível modificar os hábitos e evitar que a saúde seja afetada a longo prazo.
    6/14/2022
    7:52

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