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  • Suspenso pela Justiça, projeto de empresa turca ameaça área de botos e mangues no Rio
    Aprovado a toque de caixa em 2021, um polêmico projeto de instalação de quatro termelétricas flutuantes na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, foi embargado pela Justiça estadual. O empreendimento, da companhia turca KPS (Karpowership), ameaça um ecossistema rico em fauna marinha e manguezais. A empresa foi a vencedora de um leilão emergencial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em outubro passado, na esteira da crise energética no país provocada pela seca em 2021. Entretanto, apesar de planejar se instalar em uma área onde vive a maior população de botos-cinza do Estado, o projeto foi dispensado de um estudo de impactos ambientais pelo governo estadual, por se tratar de uma obra "estratégica". A decisão desagradou ambientalistas e levou a ONG Instituto Internacional Arayara a protocolar uma ação judicial para questionar o procedimento. Na sexta-feira (22), a Justiça determinou a imediata suspensão das obras e das instalações das usinas a gás, que funcionam sobre balsas que estavam prontas para serem posicionadas na baía. “É uma área de grande importância ecológica, com mangues bem preservados, criadouro de peixes e crustáceos, além do boto-cinza, uma espécie ameaçada de extinção. Ali, nós temos a maior de população do Estado: são de 500 a mil indivíduos”, explica a professora Helena de Godoy Bergallo, do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “As linhas de transmissão serão instaladas em 14 quilômetros de extensão e já destruíram 7 hectares de mangue, que é um berçário de vida marinha e Mata Atlântica. Ou seja, o impacto é muito grande, não só na água, como na terra.” Impacto ambiental A KPS afirma que o projeto, inédito no país, tem capacidade de gerar 560 megawatts de energia e “atende aos mais rigorosos requisitos ambientais brasileiros e internacionais”. Mas uma instalação de tamanha magnitude exige estudos mais aprofundados, garante a professora da UERJ.  “Temos de ter também o princípio de precaução. É um empreendimento novo no mundo inteiro, não só no Brasil”, ressalta Bergallo. “A gente ainda não conhece todos os seus impactos, e não temos sequer respostas para muitas dúvidas que a gente têm, sobre os impactos que poderão vir, inclusive na sociedade que vive no entorno. São pescadores, marisqueiros e quilombolas que vivem na região”, frisa a especialista em ecologia.  A companhia turca tem buscado ampliar a atuação em países em desenvolvimento, em especial africanos. A empresa já teve um projeto semelhante cancelado na África do Sul e outro projeto, no Líbano, foi denunciado por envolvimento em corrupção. Para ouvir o podcast, clique acima.
    7/28/2022
    11:40
  • Seca e calor prolongados abalam uma das paisagens mais belas da França
    Neste momento em que uma onda de calor sufocante coloca a Europa cara a cara com as mudanças climáticas, uma das paisagens mais impressionantes da França pede socorro contra as altas temperaturas. As Gorges du Verdon, lagos no sul da Provence que atraem milhares de turistas a cada verão, sofrem os efeitos da seca prolongada, mas também da neve mais escassa nos Alpes durante o inverno – num exemplo emblemático do efeito dominó da crise no clima. Lúcia Müzell, da RFI As águas turquesas aos pés dos cânions no Verdon, em meio a uma vegetação exuberante, são um spot privilegiado para a prática de esportes aquáticos, como rafting e caiaque. Mas, em 2022, os frequentadores terão de se contentar com apenas mergulhar no local. O nível da água está baixo demais e inviabiliza, pela primeira vez, a circulação das embarcações. Em alguns trechos, como no lago de Castillon, nem mesmo nadar será possível neste verão. O cenário paradisíaco deu lugar a vários metros de terra seca, que culminam em um lago raso, com menos de 40 centímetros de profundidade – cinco metros a menos do que o normal. Para completar, uma lama atípica que se formou no solo termina de desestimular os visitantes a se banhar, num quadro que entristece os franceses e preocupa os operadores de turismo da região. “Sempre tivemos períodos de seca e calor, mas o ritmo dos impactos acontece cada vez mais rapidamente. A cada ano, duram mais tempo, são mais intensos e mais repetidos”, lamenta o vice-presidente do Parque Natural Regional do Verdon, Jacques Espitalier, que vive na região há mais de 40 anos. “Percebemos que as dificuldades estão aumentando, essencialmente porque a camada de neve está diminuindo nos Alpes. Ela era densa e no momento em que ela derretia, entre maio e fim de junho, a água escorria e preenchia o Verdon pelo menos por todo o mês de julho. Neste ano, não somente tivemos pouca neve no inverno, como choveu pouco na primavera, o calor chegou mais cedo e fez a neve evaporar, em vez de virar água”, explica.  Fenômenos combinados, efeitos desastrosos O climatologista Christophe Chaix, da Agência Alpina dos Territórios, lembra que as temperaturas começaram a aumentar no fim dos anos 1980, no sul da França, e desde então não baixaram mais. Por volta de 2014, os termômetros se estabeleceram em novos padrões e os anos mais amenos ficaram definitivamente no passado. “Aqui, o sintoma de um clima doente são os fortes calores combinados com a falta prolongada de chuvas, algo que sempre tivemos. Mas a seca associada com temperaturas extremas provoca efeitos que não conhecíamos antes”, ressalta o geógrafo. “Estamos tendo já nos meses de março e abril temperaturas bem acima do normal histórico. Já na primavera, as correntes de água estão fracas e isso é totalmente novo.”  Nas Gorges du Verdon, hotéis, pousadas e operadores de turismo constatam que aquilo que até pouco tempo eram eventos excepcionais agora se transformou no novo padrão de clima na região. “Nós teremos que mudar os nossos parâmetros, o nosso modelo. Nós já sabemos que a camada de neve não voltará a ser a mesma de 50 anos atrás. Precisamos gerenciar a quantidade de água que a natureza nos fornece de outra maneira”, observa Espitalier. “Já faz mais de 10 anos que advertimos aos profissionais de turismo que eles vão precisar se adaptar a essa situação. Nós poderemos cada vez menos gastar a água com isso e eles precisarão encontrar outras atividades.” Pressão nas montanhas  Outro efeito é que as montanhas da região, que costumavam receber a maioria dos turistas no inverno, agora atraem também milhares de visitantes em busca de ar fresco no verão – o que provoca novos riscos de desequilíbrios ambientais. “Estamos vendo uma frequentação excessiva das zonas em altitude. Assim que começam as ondas de calor na planície, as pessoas começam a subir”, nota o climatologista Christophe Chaix. “O problema é que a montanha é frágil e as atividades nela dependem dos recursos naturais”, sublinha. O derretimento das geleiras e do permafrost, a camada que deveria estar permanentemente congelada nos Alpes, tem tornado a prática de atividades na neve mais arriscada no inverno – os desmoronamento e avalanches estão mais frequentes. A ironia é que essa situação levou muitos guias turísticos a decidirem descer das montanhas e ir trabalhar justamente nas Gorges du Verdon, como guias de rafting. “Vemos que tudo isso cria um desequilíbrio econômico. Estamos percebendo que a adaptação é complicada porque mesmo quando tentamos nos diversificar, trocando inclusive de estação do ano, não estamos mais ao abrigo de um outro efeito do aquecimento do clima, 5 ou 10 anos depois”, salienta o geógrafo. Pontos turísticos ameaçados pelo mundo A situação na França está longe de ser única no mundo. Famosos pontos turísticos espalhados pelo planeta também estão sendo abalados. As sequoias gigantes de 2 mil anos do parque americano Yosemite estão novamente ameaçadas pelos incêndios florestais na Califórnia. A excepcional Veneza sofre com inundações constantes devido à subida do nível do mar. No Brasil, em 2021, as imagens das Cataratas do Iguaçu secas impressionaram o mundo. “Não são só as Cataratas, mas também todos os destinos de praia no Brasil hoje estão ameaçados pela escassez hídrica e pela elevação do nível do mar. Rio de Janeiro, Florianópolis, Recife, Fortaleza já estão sendo afetadas pela falta de água e o avanço do nível do mar, o que reflete no turismo, e estão sendo obrigadas a buscar respostas, com ações de adaptação”, afirma a professora Isabel Jurema Grimm, do mestrado em Governança e Sustentabilidade do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae).
    7/21/2022
    18:58
  • Novos relatórios sobre biodiversidade embasarão marco global de proteção da natureza
    Os dois mais recentes relatórios produzidos pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (Ipbes), revelados em 8 e 11 de julho, estimulam reflexões sobre o valor que o homem dá à natureza, da qual depende para sobreviver. Os documentos, resultado na análise de mais de 13 mil estudos internacionais, servirão de base para um novo marco global para a proteção da biodiversidade do planeta, na conferência da ONU sobre o tema, no fim do ano. Assim como os relatórios do IPCC são os pilares científicos das negociações sobre o clima e levaram ao Acordo de Paris para controlar o aquecimento global, as conclusões do Ipbes são “a Bíblia” dos especialistas em biodiversidade. No documento anterior, em 2019, os cientistas alertaram sobre o declínio do número de espécies vivas “a um ritmo sem precedentes na história da humanidade”. Dos oito milhões de espécies animais e vegetais que, estima-se, vivem sobre a Terra, um milhão podem simplesmente desaparecer. “Tudo isso decorre das atividades humanas. Toda a capacidade da natureza de permitir a nossa existência na Terra está sendo ameaçada”, adverte a francesa Anne Laringauderie, secretária-executiva do órgão, em entrevista exclusiva à RFI. Qual o valor da natureza? Nestes dois novos relatórios, os cientistas esclarecem sobre todos os valores da natureza, além dos mercantis. Não são apenas os indicadores econômicos que devem prevalecer – por exemplo, o valor de rio vai além de quantas toneladas de peixes ele proporciona. Os especialistas observam que as espécies são levadas ao esgotamento num mundo que busca o incessante crescimento econômico, sem considerar outros aspectos menos lucrativos como qualidade de vida e a preservação do patrimônio natural do planeta. A maneira como a humanidade persegue o aumento do PIB, ano após ano, está no foco da crise da biodiversidade, alertou o coautor do texto final Unai Pascual, economista da ecologia. “Como o relatório deixa muito claro, o crescimento econômico é um dos imperativos e uma das principais razões das decisões-chave que estão levando a um impacto tremendo na natureza e nas pessoas”, disse Pascual, na coletiva de imprensa esta semana. “Mas também é um fato que, nestes dias, 139 países endossaram as informações e as evidências que esse relatório traz. Isso significa que precisamos saber de que maneira o crescimento deve acontecer, quando ele precisa acontecer, e onde.” Os especialistas do Ipbes propõem uma série de pistas para o uso mais sustentável dos recursos naturais, incluindo a flora e a fauna selvagens – 50 mil espécies são utilizadas cotidianamente para a alimentação humana, ressalta o documento. “Podemos melhorarmos a gestão dos rios, por exemplo, adotando um sistema de cogestão dos recursos de água, e estimular a justiça e a equidade entre os diferentes utilizadores dessa água”, frisa Anne Laringauderie. “Essa é uma das grandes conclusões do relatório: que é uma questão de justiça social, de compartilhamento dos recursos, e que devemos desenvolver soluções muito mais de longo prazo do que imediatas, em que ignoramos o conjunto de atores envolvidos. Isso não serve para resolver os conflitos que temos e ainda não será positivo para a própria biodiversidade”, comenta.   Marco global A secretária-executiva do Ipbes observa que a tomada de consciência da perda da biodiversidade está crescendo, na esteira da crise da Covid-19 e na medida em que as mudanças do clima se mostram inexoráveis. A expectativa cresce em torno da COP15 da biodiversidade, a cúpula internacional da ONU sobre o assunto, que poderá resultar num inédito marco global para a reversão da perda de espécies. O evento estava previsto para acontecer em 2020, na China, mas foi adiado diversas vezes por conta da pandemia. A reunião acabou transferida para Montreal, no Canadá, e deve ocorrer no início de dezembro. “Nó esperamos que esse marco mundial seja baseado na ciência, nas conclusões do Ipbes, com objetivos concretos, em números, e prevendo medidas bem claras, com os meios financeiros para atingi-las, em especial nos países em desenvolvimento. Vamos realmente precisar de avanços consistentes, para aumentarmos o nível de ambição de um grande enquadramento que teremos neste pós-2020”, explica. Se concluído com sucesso, este acordo deverá estabelecer objetivos que os países deverão perseguir até 2050 para combater a perda de biodiversidade.
    7/19/2022
    12:42
  • Volta de ararinhas-azuis após 20 anos de extinção também é oportunidade para preservar a Caatinga
    Vinte e dois anos depois de a última ararinha-azul ser vista ao ar livre no seu habitat natural, a Caatinga, oito exemplares da espécie foram soltas em meados de junho por uma equipe de biólogos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a organização ambiental alemã Association for the Conservation of Threatened Parrots. Além de coroar um projeto de anos para recuperar uma ave considerada extinta na natureza, a iniciativa também se tornou uma oportunidade para preservar o bioma, exclusivamente brasileiro. Nos anos 2000, a degradação do ambiente, o intenso tráfico e a ação de predadores levaram as ararinhas-azuis a sumir da paisagem, no sertão baiano. O trágico destino da espécie virou até filme, a animação Rio e Rio 2, de 2011 e 2014. A situação levou à criação de um Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-Azul, há 10 anos. Foram localizadas aves em criadouros pelo mundo e encaminhadas para a Alemanha, onde passaram a integrar um programa de reprodução em cativeiro. Destas, 52 foram levadas ao Brasil em 2020, para se prepararem para a reintrodução na natureza. Agora, quase um mês depois de cinco fêmeas e três machos voltarem a voar nos céus de Curaçá, na Bahia, o coordenador do plano nacional, Antonio Eduardo Barbosa, do ICMBio, celebra o sucesso da operação – pelo menos até agora. “A gente está acompanhando essas aves. Elas estão bem, próximas ao recinto de soltura. Elas voltam todo o dia ao cativeiro, se alimentam, exploram o ambiente ao redor”, conta. “Uma se afastou um pouco mais e ficamos três dias sem o sinal dela, mas conseguimos resgatá-la. Ela ficou um pouco desidratada e está em tratamento. Mas a gente não teve nenhuma perda e isso é muito bom.” Riscos à reprodução Hoje, existem cerca de 200 exemplares no mundo, além das que permanecem ilegalmente apreendidas. Recuperá-las seria crucial para melhores resultados da reprodução em cativeiro. “É importante aumentar a variabilidade genética dessas populações. Os animais são muito próximos, são parentes: primos, irmãos, e isso às vezes causa problemas para a reprodução da espécie”, explica Barbosa. No seu habitat natural, em uma reserva cercada por uma área de proteção ambiental federal, as ararinhas-azuis enfrentam os perigos da natureza, mas também precisarão de proteção reforçada contra tentativas de captura ilegal e até um megaprojeto de instalação de um parque eólico na região – que pode gerar riscos de electrocução nos fios elétricos. Os especialistas em conservação envolvidos na “operação ararinha” se mobilizam para deslocar a construção do Complexo Eólico Serra da Borracha para uma zona mais distante do plano original, às margens da reserva. Recuperação da Caatinga Outra ameaça é a própria degradação da Caatinga, cada vez mais atingida pela desertificação e abalada pelo avanço da agricultura – quase metade da vegetação natural já foi desmatada. Menos de 1% do bioma, que ocupa 11% do território nacional, é beneficiado com uma proteção integral pelo governo federal. Na esteira do projeto de reintrodução das ararinhas-azuis, uma equipe de pesquisadores e instituições de preservação se uniram para recuperar o entorno da área onde se espera que as aves circularão. O projeto RE-Habitar vai recuperar 200 hectares de vegetação – a metade às margens de rios intermitentes e a outra, nas regiões mais secas. O professor Renato Rodrigues, coordenador do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Nema/Univasf), explica que, como em qualquer ambiente semiárido, a Caatinga é frágil, suscetível a mudanças no nível de aridez e a períodos de secas extremas – e os ecossistemas precisam de água para se desenvolver. “Queremos que esse projeto seja uma vitrine. Ele está sendo desenhado para ser um método de fácil de replicação na região – do leito do riacho até a caatinga mais seca”, aponta Rodrigues. “Estamos testando um modelo para recuperar as drenagens, fazer barragens subterrâneas para acumular a água no subsolo. E em paralelo, fazer plantio de mudas em núcleos, com semeadura de espécies, tudo com baixo custo, para mostrar para a população que recuperar a Caatinga é um ganho não só para a ararinha, como para o proprietário rural.” As árvores escolhidas são de rápido crescimento e utilizadas pelas aves como alimento ou para formação de ninhos. A expectativa da equipe é começar o plantio em dezembro, início do período de chuvas na região.
    7/7/2022
    22:21
  • Conferência do Oceano busca avanços para acordo global de proteção
    A Conferência do Oceano acontece nesta semana em Lisboa, cinco anos depois do último encontro de alto nível promovido pela ONU para abordar a proteção dos ecossistemas marinhos. Adiado dois anos pela pandemia, o evento busca acelerar um consenso quanto à importância de um acordo global para proteger os ecossistemas marinhos, a exemplo de outros temas ambientais que chegaram a tratados entre os países, como o clima. A última grande conferência da ONU sobre o assunto tinha acontecido em 2017, e esta agora é a apenas a segunda. Mas esse quadro está se revertendo, inclusive no âmbito da ONU. A relevância do tema é cada vez menos questionada: os oceanos cobrem 70% da superfície do planeta e geram mais de 50% do oxigênio que os seres vivos respiram sobre a Terra. "A emergência climática só não está mais grave porque o oceano foi barrando isso enquanto conseguia, removendo CO2 da atmosfera”, ressalta o professor Ronaldo Christofoletti, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e presente em Lisboa. "Mas enquanto ele segurou, ele começou a cansar. Já começamos a ter sinais muito claros disso: o oceano está pedindo ajuda. E ainda há tempo de fazermos diferente." A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, fixada pelas Nações Unidas entre 2021 e 2030, foi crucial para aumentar a mobilização em torno do assunto. Mas um amplo acordo global sobre o oceano ainda parece distante. "Quem sabe na próxima conferência, em 2025. Acho que todos os arranjos necessários para que esse acordo vá sendo construído coletivamente estão sendo feitos”, avalia Christofoletti. "A gente teve um exemplo recente, sobre os plásticos, com um acordo especificamente para o lixo no mar. Já é um grande avanço, mas ainda teremos de trabalhar mais um pouco por um tratado global.” Áreas protegidas Em março, os países reunidos na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente no Quênia chegaram às bases de um texto para limitar a poluição por plásticos, que mata a cada ano 100 mil mamíferos marinhos. A expectativa é de que um pacto formal sobre o tema seja assinado em 2024. A cúpula em Lisboa, com representantes de cerca de 100 países, empresas e a sociedade civil, também pretende avançar rumo a um compromisso para frear a pesca excessiva. Hoje, um terço das espécies selvagens de peixes são pescados além dos limites que garantem a sua sobrevivência. Passar dos atuais menos de 10% de áreas marinhas protegidas para 30% é outro grande desafio, que a ONU se coloca para 2030. Nesta quarta-feira (29), uma centena de países se comprometeram com este objetivo em Lisboa – pouco mais da metade dos 193 que compõem as Nações Unidas. "São tantas frentes: plásticos, produtos químicos, fertilizantes, que chega a dar um desespero. Mas tudo isso tem duas raízes: as atividades humanas, que podem ser regulamentadas, e colocar em prática o que a gente combinar, pelas leis”, observa Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano no Brasil. "Não há antagonismo entre a natureza e a economia, o desenvolvimento. Outro aspecto é a pobreza: ela é um sintoma de um modo insustentável da sociedade”, sublinha o especialista. “Racismo oceânico" A maneira como o oceano é tratado reflete o nível de desenvolvimento de cada país. O velho embate entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento também emerge nos temas relacionados aos oceanos: como exigir dos países pobres mais cuidado com a gestão do mar sem ajudá-los a financiar os mecanismos mais adaptados, menos nocivos ao ambiente marinho? “A gente precisa de um sentimento de empatia, de cooperação. A vulnerabilidade a que milhões de pessoas estão expostas precisa ser combatida, inclusive aquelas que estão morando no que chamamos de aglomerados subnormais, que são áreas de risco como encostas, áreas de manguezal – que são, também, mais sujeitas aos efeitos das mudanças do clima”, salienta Turra. “Isso nos remete ao racismo oceânico, o racismo ambiental. As pessoas que acabam sofrendo desproporcionalmente mais com essa situação são as pobres, as negras, todas as que estão à margem da sociedade hoje.” Para ouvir o podcast Planeta Verde, clique no alto
    6/30/2022
    26:21

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