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  • Novo presidente da Colômbia promete reformas ambiciosas e foca na liderança regional
    Com a promessa de realizar reformas profundas, reunificar a Colômbia, acabar com a corrupção e promover dignidade - sobretudo das mulheres - Gustavo Petro e Francia Marquez assumiram neste domingo (7) a presidência e a vice-presidência da Colômbia. Na cerimônia, eles foram aplaudidos por centenas de eleitores, que lotaram a Plaza de Bolívar, na capital Bogotá. O ex-guerrilheiro e a afrodescendente ambientalista escrevem um novo capítulo da História colombiana com a chegada da esquerda ao poder. Elianah Jorge, correspondente da RFI na Venezuela Em um discurso ambicioso, Petro prometeu implementar muitas reformas durante sua gestão de apenas quatro anos (2022-2026). Para este economista eleito em sua terceira disputa à presidência, uma das principais mudanças diz respeito às questões tributárias, focando também na educação e previdência. O objetivo, segundo ele, é oferecer um país mais igualitário aos mais de 50 milhões de habitantes da Colômbia.  Seus audaciosos projetos vão além do plano nacional. Durante o discurso de posse, Petro afirmou que pretende se tornar um líder regional e global. A alocução foi realizada ao lado da espada original de Simón Bolívar (1783-1830), conhecido como "o Libertador", e considerado um herói nacional na Colômbia. O novo presidente defende que seu mandato é uma oportunidade ao país de corrigir as falhas do passado. Petro defendeu mais esforços para preservação do meio ambiente, como o uso de energias limpas não apenas na Colômbia, mas no mundo.  Igualdade salarial e oportunidades para todos Petro foi aplaudido ao falar sobre igualdade salarial e de oportunidades entre homens e mulheres. Várias vezes durante seu discurso ele fez referência à importância de reconhecer os esforços das colombianas e de oferecer a elas melhores condições.  “Não podemos permitir que as mulheres ganhem menos que os homens e que estejam menos representadas nas instituições. É hora de equilibrar essa balança”, declarou Petro. Com um gabinete diverso quanto a sexo e origens étnicas, à imagem da população colombiana, Petro se mostra disposto a implementar as mudanças exigidas pelo povo.  O novo presidente também defendeu um novo enfoque em relação à política global anti-drogas. A Colômbia continua sendo o país que mais produz cocaína no mundo.  Petro vai governar junto com a vice-presidente Francia Márquez, advogada de 40 anos. Afrodescendente, ex-empregada e mãe solteira, ela é conhecida no país por seu ativismo ambiental. Originária de uma das regiões mais discriminadas da Colômbia, Francia representa uma parte da população relegada pelos governos anteriores. Petro terá muitos desafios  O fato de Petro ser o candidato à presidência mais votado da História do país e levar a esquerda ao poder na Colômbia traduz o apelo popular por mudanças. Essa necessidade foi evidenciada pelos mais de 50% dos votos que o o líder recebeu no segundo turno das eleições presidenciais. O novo presidente promete fazer jus ao eleitorado. No discurso de posse, Petro reforçou a necessidade de paz em um país ferido por décadas de sangue derramado devido às disputas dos carteis de drogas ou dos grupos armados que ainda existem em regiões remotas da Colômbia.  “Temos que acabar com anos de guerra. Cumpriremos com o acordo de paz. Temos que construir o país da vida”, bradou. Mesmo com a favorável taxa de crescimento econômico de 7,2% esse ano, os colombianos sofrem com as altas taxas de juros e de impostos, além dos estratosféricos preços dos serviços públicos, da saúde e da educação.  De acordo com a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) a taxa de pobreza na Colômbia foi de 36,3% no ano passado. Em 2022, esse índice deve chegar a 39%, incitado pelo aumento da inflação.  “Somos uma das sociedades mais desiguais no planeta terra e isso é uma aberração! Não é possível se queremos viver em paz. Vamos fazer uma Colômbia mais igual para todos”, prometeu o presidente.  Para analistas, a reforma mais complexa será a tributária, que pode trazer novos investimentos ao país. Outro ponto sensível será o aumento de impostos aos mais ricos.  Durante a cerimônia que oficializou a troca de governo, a mesma população que aplaudia Gustavo Petro vaiava intensamente Iván Duque (2018-2022). O presidente deixa o poder com uma aprovação de apenas 27%. América Latina à esquerda Com a posse de Petro, a balança latino-americana pende ainda mais à esquerda. O cenário pode se reforçar se Luiz Inácio Lula da Silva ganhar as eleições presidenciais deste ano no Brasil.  Durante o discurso, Petro ressaltou sua disposição para assumir a liderança da região. “A união latino-americana não foi possível durante a pandemia. Teremos uma América Latina sem poder coordenar pesquisas de saúde? Buscaremos aliança com a África e com o mundo árabe. Uniremos a Colômbia ao mundo”, sentenciou. O novo chefe de Estado colombiano alfinetou os Estados Unidos e também saudou os líderes da esquerda presentes na cerimônia, entre eles, os presidentes Albertos Fernándes, da Argentina, Luis Arce, da Bolívia e Xiomara Castro, de Honduras. A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff também marcou presença. Já o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, representou a direita no evento.   Retomada das relações com a Venezuela Antes da posse, Gustavo Petro vinha articulando uma reaproximação com Nicolás Maduro. Iván Duque rejeitava a legitimidade do líder bolivariano, em defesa do político opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente da Venezuela. No último 28 de julho o chanceler venezuelano Carlos Faría se reuniu com então indicado e agora ministro de Relações Exteriores da Colômbia Álvaro Leyra. O encontro marcou o interesse da Colômbia e da Venezuela avançarem na normalização gradual das relações bilaterais após a posse de Petro, com a nomeação de diplomatas para trabalhar nas embaixadas e consulados dos respectivos países.   Na reunião, ambos os representantes se comprometeram a “garantir a segurança e a paz” nos mais de 2.200 quilômetros de fronteira em comum. Com a iniciativa, os mais de 2,5 milhões de venezuelanos em solo colombiano podem ser beneficiados com a flexibilização das leis em prol dos imigrantes.  Há uma forte expectativa pela reabertura da Ponte Internacional Simón Bolívar, o principal ponto de passagem entre os dois que está fechado ao tráfego de veículos desde 2019.  O comércio bilateral também deverá ser aquecido com a reaproximação dos países, sobretudo nas cidades fronteiriças de Cúcuta, no lado colombiano, e na de São Cristóvão, na parte venezuelana. De acordo com o economista venezuelano Asdrúbal Oliveros as relações comerciais entre os dois países poderiam chegar a US$ 250 milhões de dólares em 2023, com a balança favorável às empresas colombianas por causa da atual falta de infraestrutura venezuelana.
    8/8/2022
    5:32
  • UE proíbe apreensão de navios de resgate de migrantes no Mediterrâneo
    O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu esta semana que navios que resgatam migrantes à deriva no mar não podem ser apreendidos pelas autoridades nacionais por excederem o número de pessoas que deveriam legalmente transportar. Os portos do Mediterrâneo na Itália, Grécia, Malta e ilhas próximas da Turquia são os mais procurados pelas embarcações humanitárias. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas O drama dos migrantes nos barcos humanitários à procura de um país é um retrato trágico do menosprezo humano. A cena se repete com frequência, muitas vezes com finais deploráveis, e se intensifica nos meses de verão no hemisfério norte, quando há menos riscos nas travessias. Nos últimos dias, três organizações humanitárias, o SOS Mediterrâneo, Médicos sem Fronteiras (MSF) e Sea Watch resgataram mais de mil pessoas à deriva em barcos superlotados, que navegavam do norte da África até a costa da Itália. A lei do mar contém “um dever fundamental de prestar assistência às pessoas em perigo ou em perigo no mar”, afirmou o veredito emitido pelo Tribunal Europeu de Justiça esta semana. A decisão diz respeito a dois navios da organização não governamental Sea Watch apreendidos pelas autoridades italianas há dois anos. Segundo os juízes, dada a natureza das atividades destas embarcações, o número de pessoas a bordo não pode ser levado em consideração se as condições de segurança dos passageiros são respeitadas. As autoridades portuárias só poderiam reter os barcos se fossem identificados “sérios indícios de perigo para a saúde, segurança, meio ambiente ou trabalho a bordo,” definiu o tribunal. A decisão do TJUE foi comemorada como uma clara vitória para todos os resgates marítimos no Mediterrâneo. Negócio altamente lucrativo Os fluxos migratórios na rota do Mediterrâneo central são os mais perigosos do mundo. Anualmente, milhares de pessoas tentar entrar ilegalmente na União Europeia em botes superlotados com dezenas de migrantes. São viagens longas e dramáticas, sem os mínimos requisitos de segurança, feitas por traficantes de migrantes. A viagem pode custar mais de R$ 10 mil por pessoa, o que torna o negócio altamente lucrativo. Segundo a Frontex, a agência europeia da guarda de fronteiras e costeira, durante os três anos que antecederam a pandemia, de 2017 a 2020, os traficantes ganharam € 330 milhões (R$ 1,7 bilhão) nas rotas mediterrâneas, conhecidas como um enorme cemitério marítimo. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que mais de 20 mil pessoas perderam a vida nestas travessias na última década. A embarcação Geo Barents da organização Médicos Sem Fronteiras transporta atualmente 659 pessoas, entre eles mais de 150 menores que ainda não possuem um porto para desembarcar. O Ocean Viking, a mando do SOS Mediterrâneo, desembarcou 387 pessoas no pequeno porto turístico de Salerno durante o domingo (31). Enquanto isso, após três dias de espera, o navio Sea Watch 3 desembarcou 438 pessoas no último sábado (30) em Tarento, no sul da Itália. A Itália registrou até agora mais de 42 mil chegadas de migrantes, em comparação aos quase 30 mil durante o mesmo período no ano passado. Os migrantes vêm da Argélia, Bangladesh, Congo, Egito, Marrocos, Nigéria, Síria e Tunísia. Falta de assistência no Mediterrâneo A história da jovem capitã alemã Carola Rackete, 34 anos, ilustra bem a realidade dos resgates de migrantes ilegais no Mediterrâneo. Em junho de 2019, ela teve seu nome estampado nas manchetes dos principais jornais da Europa e do mundo, quando no comando do navio humanitário Sea-Watch 3 resgatou mais de 40 pessoas que se encontravam em botes inseguros e atracou sem autorização no porto de Lampedusa, na Itália. Na época, o veto foi imposto pelo então ministro do Interior, Matteo Salvini, líder da extrema direita italiana. Carola Rackete foi presa por supostamente ajudar na imigração ilegal na Europa. No final do ano passado, a justiça italiana decidiu abandonar o processo contra Rackete, que se tornou heroína e referência na luta de refugiados pelo mundo. Segundo as equipes da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, “a triste realidade na fronteira do sul da Europa não mudou: a normalização das políticas de dissuasão e não assistência no mar, bem como o desmantelamento do sistema e busca e salvamento em favor de retornos forçados, continuam a gerar sofrimento humano e perdas de vida.” Para Juan Matias Gil, representante das operações de busca e salvamento do MSF, “a presença do MSF no Mediterrâneo Central é resultado direto da vergonhosa e progressiva falta de engajamento dos continentes navais de busca e salvamento liderados pelo bloco europeu na região.” Esta semana as ONGs humanitárias que atuam no Mar Mediterrâneo pediram mais envolvimento da União Europeia no resgate a migrantes.
    8/5/2022
    5:48
  • Nova constituição do Chile: dúvidas e polêmicas permeiam o cenário político a um mês do plebiscito
    O Serviço Eleitoral chileno espera pouco mais de 15 milhões de eleitores em exatamente um mês. No domingo, 4 de setembro, cidadãos no Chile e fora do país aptos a votar devem escolher se aprovam ou rejeitam o texto da nova carta magna do país. Um processo que se iniciou em 2019 e que chega à sua reta final nos próximos 30 dias. Camilla Viegas, correspondente da RFI em Santiago Falta exatamente um mês para que os chilenos voltem às urnas para votar o projeto de uma nova constituição que busca mudar a Carta Magna atual do país, elaborada em 1980 durante a ditadura de Augusto Pinochet. No entanto, este pode não ser o fim do caminho, mas apenas mais uma etapa, pois, cercada de controvérsias, a campanha de aprovação não conseguiu capitalizar o apoio massivo que tinha antes do início do processo constituinte, e a maioria dos chilenos parece querer que o texto seja rejeitado em detrimento de um novo texto. Esse capítulo da história do Chile que vemos agora começou ainda em 2019, mas foi em 25 de outubro de 2020 que os chilenos votaram a favor de um processo constituinte que fosse capaz de redigir uma nova constituição. Cerca de 80% dos votantes escolheram a aprovação do processo constituinte (78% dos votos) e que este fosse liderado por uma assembleia constituinte (79% dos votos). Este modelo de órgão previa as eleições dos constituintes, um grupo de pessoas escolhidas especificamente para isso, sem a participação de partidos políticos, que enfrentam uma atual crise de credibilidade na nação sul-americana. De olho no plebiscito O plebiscito que vai aprovar ou não a nova constituição no país já está agendado e deve acontecer no dia 4 de setembro. A votação terá caráter obrigatório para todos os eleitores residentes no país, pouco mais de 15 milhões de pessoas. Este será o primeiro processo eleitoral com voto obrigatório desde que se estabeleceu no país o voto voluntário, em 2012, o que, segundo especialistas, pode gerar ainda mais dúvidas sobre o resultado.     As constantes polêmicas em que a assembleia constituinte esteve envolvida, somadas a alguns pontos controversos na proposta da nova constituição que redigiram, como a plurinacionalidade, os sistemas de justiça específicos para os povos indígenas e a eliminação do Senado, tornaram a opção do “rechaço" (rejeito) a que tem a maioria em todas as pesquisas de intenção de voto. Apesar disso, a diferença entre o “aprovo” e o “rejeito” tem diminuído nos últimos dias. A pesquisa Criteria, divulgada nesta semana, por exemplo, revelou que a rejeição tem 45% das intenções de voto, contra 36% da aprovação. Isso representa uma queda de três pontos percentuais para a primeira opção e um aumento de cinco pontos para a segunda. Essa pesquisa também mostra o que os chilenos acreditam que acontecerá se uma ou outra opção vencer. Para 57% dos entrevistados, os protestos vão acabar e a calma voltará às ruas se a aprovação vencer, enquanto que 58% acredita que a economia será beneficiada se a rejeição vencer. Outra pesquisa, realizada pelo instituto Cadem, um dos mais prestigiados do país, apresenta números semelhantes: 48% para rejeição e 38% para aprovação, embora este estudo, pela primeira vez, tenha mostrado um empate técnico entre os chilenos que acreditam que uma ou outra opção pode ganhar. “A medida que se conhece mais do texto [da nova constituição], que se reduzem as fake news e a desinformação, a opção pela aprovação sai fortalecida. Eu acho que esse aumento [de eleitores que dizem que votarão “aprovo”] tem a ver com isso”, explica Claudia Heiss, acadêmica e chefe do Departamento de Ciência Política da Universidade do Chile. Ela completa: “Acho que as pessoas avaliam: ‘Finalmente, depois de toda essa discussão e de todo esse ruído político e midiático, o que temos sobre a mesa?’”. Acusações de intervencionismo Os resultados das pesquisas se estreitam à medida que o governo do esquerdista Gabriel Boric começou a participar mais ativamente da campanha, mesmo que de forma indireta. Como resultado deste maior protagonismo, Boric e os integrantes de seu governo foram acusados de intervencionismo eleitoral. Na semana passada, a Controladoria anunciou a investigação de alguns casos, principalmente relativos a uma campanha de informação do Ministério da Secretaria Geral de Governo, chefiada pela ministra Camila Vallejo. "A Controladoria tem que fiscalizar, mas não tenho dúvidas de que o espírito com que agimos não é em nenhum caso de intervencionismo, mas de divulgação de informações", disse Boric após o anúncio do Controlador Geral da República Jorge Bermúdez. A lei chilena proíbe que funcionários do governo façam campanha ou gastem fundos públicos em favor de uma ou outra opção em eleições, a menos que não estejam em horário de trabalho. A argumentação de Boric garante que há apenas a promoção de uma campanha de informação, para a qual distribuiu milhares de exemplares da proposta da nova Constituição. Por outro lado, seus opositores políticos o acusam de usar isso como pretexto para dar força à opção do "aprovo", que, como todos sabem, ele apoia. Partidos de direita censuram Boric por fazer alusões ao "processo histórico" que está ocorrendo no país, aos supostos bloqueios legislativos que a oposição poderia impor se o "rejeito" vencer e por dar autógrafos, a pedido de cidadãos que o encontram na rua, em textos da proposta constitucional. A polêmica chegou também fora do país, já que a empresa que representa o cantor porto-riquenho Chayanne pediu para que não fosse feito o uso de sua imagem em campanhas políticas. Isso aconteceu depois que a conta oficial do presidente Boric no Instagram postou uma foto do cantor com uma legenda favorável à aprovação.     “Honestamente não acredito que o tema do intervencionismo eleitoral influencie na votação [do plebiscito]. Creio que isso é mais uma disputa entre elites, entre figuras do mundo político, e não uma disputa cidadã. Eu acho que o governo tem sido cuidadoso no que se refere a informar sobre o conteúdo do texto e não favorecer uma opção em detrimento da outra. Não acredito que seja um tema que influencie no resultado do plebiscito de saída”, disse a acadêmica Heiss. Acordos difíceis O resultado do plebiscito de 4 de setembro ainda é incerto, mas o que as pesquisas deixaram claro é que, seja qual for a opção vencedora, os chilenos anseiam por um novo texto constitucional. Isso também ficou claro por políticos da oposição e da situação, que têm emitido falas no sentido de que a Carta Magna de 1980 "está morta". Os partidos do grupo político Chile Vamos, a coalizão de oposição de direita, divulgaram um texto há algumas semanas com 10 mudanças que prometem implementar "se o 'rejeito' vencer", entre as quais estabelece que o Chile é um "Estado social e democrático de direito". Esse documento propõe uma nova Constituição e também reformas ao Tribunal Constitucional, que setores da esquerda dizem ser um dos principais motivos do bloqueio legislativo no Congresso. No entanto, todos os olhos estão voltados para o grupo político no poder, cujas forças não conseguiram chegar a um acordo sobre se querem ou não que a nova Constituição seja modificada caso seja aprovada. Líderes do Partido Comunista (PC, que faz parte do governo) disseram que qualquer discussão sobre a modificação do texto deve vir após o plebiscito, enquanto que outros políticos do partido pediram um acordo prévio, como forma de dar certeza e atrair eleitores indecisos. O próprio Boric se referiu ao assunto esta semana quando, ao ser questionado em uma entrevista coletiva, disse que não apenas vê, mas que "é viável chegar a um acordo (sobre as reformas) antes do plebiscito". A frase, segundo a imprensa chilena, incomodou o PC. Desde então, sua coalizão, a Frente Ampla, realizou uma série de reuniões para ver se é viável chegar a tal acordo nos poucos dias que faltam para o plebiscito. Uma das opções em discussão é formar uma comissão parlamentar de harmonização ou implementação para avançar nos trabalhos sobre possíveis reformas que serão necessárias caso o texto seja aprovado, mas a desconfiança que existe entre os chilenos em relação ao Congresso pode significar que isso não é suficiente. Nesse cenário, as próximas quatro semanas vão determinar se os grupos políticos que apoiam o "aprovo" conseguirão entrar em acordo e dar fôlego a esta opção. A questão é se eles têm tempo suficiente para isso.
    8/4/2022
    5:23
  • Supermercados britânicos acabam com etiquetas de validade de produtos
    Está bom ou vencido? Mais um supermercado britânico decide acabar com as etiquetas que indicam até quando alimentos frescos devem ser "preferencialmente" consumidos. A partir de setembro, o Waitrose deixará a critério da clientela avaliar se os produtos de uma lista de mais de 500 tipos de frutas e legumes estão em boas condições para serem levados à mesa. Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres A marca é uma das últimas entre os grandes que ainda não tinham dado esse passo. A medida tem por objetivo reduzir o desperdício e diminuir os preços dos produtos em um momento em que a inflação se mantêm no maior nível dos últimos 40 anos. Isso não quer dizer que os consumidores vão ser obrigados a comer produtos velhos. Existem duas etiquetas distintas. A da data de validade propriamente dita, que está mantida por questão sanitária. Ela indica que um determinado produto não pode mais ser consumido depois daquela data, pois pode fazer mal à saúde. Mas há também aquela que recomenda até quando o produto deve ser preferencialmente consumido. Não é de hoje que elas fazem confusão na cabeça do consumidor e, por isso, muita gente joga fora itens que poderiam perfeitamente ser consumidos, como frutas e legumes. De acordo com a ONG Programa de Ação Dejetos & Recursos, WRAP, na sigla em inglês, 4,5 milhões de toneladas de alimentos que poderiam ser consumidos são jogados fora anualmente. A entidade afirma que o desperdício alimenta a mudança do clima e custa dinheiro ao consumidor. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), indicam que todos os anos um terço da produção alimentar é desperdiçada no mundo. É aquela velha discussão que todo mundo já teve em casa um dia. Até quando comer um produto que está na geladeira? Se for uma fruta, legume ou iogurte, em princípio, todos são capazes de reconhecer pelo cheiro ou pelo gosto. Mas isso não causará doenças ou morte. Já há supermercados no Reino Unido que dizem que as pessoas devem cheirar o leite para saber se ainda está bom.  No início de 2019, houve uma grande polêmica sobre o tema no país. A ex-primeira-ministra Theresa May disse em público que retirava aquela camada de mofo que dá sobre as geleias de frutas e comia assim mesmo. Muita gente torceu o nariz. Todo mundo tinha uma opinião sobre o assunto. Muitos defenderam à época que ninguém morreu por ter comido geleia como a ex-premiê. A iniciativa do Waitrose não é a primeira no Reino Unido O primeiro foi o Tesco, que, em 2018, retirou as etiquetas de “consumir preferencialmente até” de 100 produtos. O Marks & Spencer fez o mesmo mês passado com 300 tipos de frutas e legumes. O problema é que o movimento promete ser ainda mais amplo e, certamente, aos olhos de muitos, mais controverso. A etiqueta “use by” ou o equivalente à data de validade segue valendo e serve para mostrar que determinado alimento não pode ser consumido depois da data marcada na embalagem. Tem que estar presente em produtos microbiologicamente perecíveis. Há itens que devem exibi-la de maneira inequívoca como, por exemplo carne, peixe, crustáceos ou queijo frescos. Mas cabe aos produtores decidir se e qual etiqueta pretendem usar. Em janeiro deste ano, o supermercado Morrisons ousou e avisou que estava retirando a "data de validade" de 90% de suas marcas próprias de leite para estimular os consumidores a fazerem o que chamaram de teste do olfato. Assim, evitariam o desperdício do produto. Já o Co-Op disse que estava trocando as etiquetas de "validade" de seus iogurtes pelas de "consumir preferencialmente até”. Tudo isso ainda pode causar muita polêmica. É preciso saber se esse movimento significa que os supermercados vão jogar menos itens fora e, por isso, oferecer descontos ao consumidor em tempos de inflação alta, a mais elevada em 40 anos. E mais: como garantir que, apesar dessa flexibilização, que pode ser até justa em muitos casos, o consumidor vai continuar consumindo alimentos seguros para a sua saúde? No Brasil, o uso da data de validade é ponto pacificado. Mas as expressões “consumir preferencialmente antes de”, ou “consumir antes de”, aos olhos do Código de Defesa do Consumidor não são claras, o que tem levado o Ministério Público a questionar o seu uso.
    8/2/2022
    4:47
  • Varíola dos macacos: “Só estamos vendo a ponta do iceberg no Brasil”, diz infectologista
    Especialistas brasileiros criticam a demora do governo para orientar a população, capacitar os profissionais da saúde a fazer o diagnóstico e negociar a compra de vacinas contra a varíola dos macacos. Crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos podem desenvolver sintomas graves da doença. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília São cerca de mil casos já confirmados no Brasil, incluindo crianças, adolescentes e até uma gestante, mas especialistas dizem que a ação do governo federal frente ao avanço da "monkeypox", chamada de varíola dos macacos no país, tem ficado aquém do necessário, como se o país nada tivesse aprendido com a pandemia de Covid-19. “O Ministério da Saúde tem relativizado o assunto, dizendo que é uma doença que atinge mais a Europa. Mas, na verdade, estamos vendo somente a ponta do iceberg no Brasil, porque ainda não existe uma campanha realmente eficaz para orientar as pessoas sobre quais lesões devem levá-las ao posto de saúde. Também não existe educação médica junto aos trabalhadores de saúde para que seja feito o diagnóstico das lesões”, afirmou à RFI o médico Alexandre Naime Barbosa, pesquisador da Unesp e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Ainda que a doença resulte em sintomas leves na maioria dos casos, pode haver risco maior para crianças pequenas e idosos e certamente há um perigo para pacientes com imunidade comprometida, como foi o caso do homem que morreu da doença no Brasil na última semana. Ele era portador do HIV e lutava contra um linfoma. “No momento, homens que fazem sexo com homens são a categoria de exposição mais clara para a 'monkeypox', mas o vírus não tem preferência, é democrático. Há ao menos cinco casos em crianças já reportados no Brasil, uma mulher gestante, vários casos em mulheres também. O problema é quando a doença encontra indivíduos imunossuprimidos. Aí pode ser grave”, disse Barbosa. Dificuldade dos governos Outro especialista ouvido pela RFI, o sanitarista Jonas Brant, professor do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que muitos governos têm tido dificuldades em organizar o sistema de saúde de forma a barrar o avanço do vírus. “Tem saído do controle. O número de casos vem crescendo de maneira muito rápida. A primeira medida nesse caso é que os postos de saúde estejam preparados para o diagnóstico porque o paciente com a 'monkeypox' em geral não vai à emergência, porque não está tão grave, mas ao posto de saúde por causa das feridas”, afirma.  Brant explica que é a partir do posto, na atenção primária da rede pública, que vem a orientação de isolamento para os casos suspeitos, ao mesmo tempo em que é feita a busca por demais pessoas que tiveram contato com o possível infectado. “É para quebrar a cadeia de contágio. Esse rastreamento é uma ferramenta básica há séculos e nós não estamos conseguindo manter isso”, aponta. Ele acredita que no Brasil há um agravamento da situação por causa do clima de politização acirrada e que esse vácuo grave de comunicação das autoridades sanitárias se deve ao fato de que inicialmente a varíola dos macacos tem atingido mais homens homossexuais. “Esse é um tema tabu, um tema problema para o atual governo, ainda mais em ano eleitoral”.  Mas ele também destaca que “em várias partes do mundo já há relatos, por exemplo, de contágio em crianças e isso mostra que haverá mudança nesse grupo alvo com o tempo”, disse o epidemiologista da UnB. Brasil receberá 20 mil doses da vacina em setembro Numa conta difícil de fechar no curto prazo, o Ministério da Saúde diz que a imunização vai focar nos profissionais da saúde e em pessoas que tiveram contato direto com infectados não vacinados. Porém, a primeira remessa trará ao país apenas 20 mil doses em setembro, por meio de um convênio com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), já que a empresa dinamarquesa que produz a vacina não tem escritório no Brasil. Em outubro devem chegar mais trinta mil doses. “Países como Canadá já começaram a vacinar as pessoas. E, infelizmente, o Brasil continua pecando nesse ponto da vacinação, assim como foi a demora na aquisição das doses na pandemia do coronavírus”, comparou o infectologista Alexandre Barbosa. Há muitas dúvidas que as pesquisas ainda precisam responder. Uma delas é qual o grau de proteção que pessoas que tomaram a vacina contra a varíola humana, há mais de 40 anos, tem hoje em dia em relação à varíola dos macacos. Os especialistas também se perguntam se o imunizante será suficiente para proteger os idosos. Outro questionamento é se além das formas de contágio conhecidas - como contato com as feridas, secreções salivares ou objetos usados pelo paciente - é possível pegar a doença também por relação sexual. Certo, dizem os especialistas, é que o Brasil precisa mostrar esforço para garantir à população acesso a remédios e imunizantes. “As medicações e vacinas foram desenvolvidas para a varíola humana e hoje somente as grandes potências dispõem dessa tecnologia. Então há um trabalho aí de geopolítica, de diplomacia para que todos os países possam ter acesso a essa tecnologia”, diz o sanitarista da UnB.  “A vacina, no caso da 'monkeypox', tem uma grande vantagem, ela pode ser aplicada após a exposição. Assim eu posso vacinar as pessoas depois delas terem tido contato com um infectado, e isso ajuda no bloqueio da transmissão”, conclui Jonas Brant.
    8/1/2022
    5:10

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