Radio Logo
RND
Höre {param} in der App.
Höre ECONOMIA in der App.
(124.878)(171.489)
Sender speichern
Wecker
Sleeptimer
Sender speichern
Wecker
Sleeptimer

ECONOMIA

Podcast ECONOMIA
Podcast ECONOMIA

ECONOMIA

hinzufügen

Verfügbare Folgen

5 von 24
  • Radar econômico - Famosas lojas de departamento parisienses entram em apuros sem turistas chineses
    Templos dos turistas internacionais em busca da elegância à la française, as grandes lojas de departamentos de Paris estão em apuros para compensar a explosão do e-commerce e a ausência dos estrangeiros, principalmente os chineses, causada pela pandemia de coronavírus. As mais famosas, as Galerias Lafayette e a Printemps, perderam a metade das receitas em 2020 e continuaram a enfrentar as consequências de fechamentos e restrições neste ano. Lúcia Müzell, da RFI No foco do problema está o direcionamento que essas lojas deram a partir de meados dos anos 2000 para a clientela estrangeira emergente, ávida por luxo e e sem prestar atenção na conta. O modelo tradicional dos grands magasins, abertos no século 19, era atender a burguesia francesa, mas a chegada dos turistas asiáticos e do Oriente Médio elevou o patamar de vendas a uma nova dimensão. Foram anos, literalmente, de ouro: em 2019, os turistas chineses gastaram € 3,5 bilhões na França, equivalente a 7% do total receitas do turismo no país. Nas Galerias Lafayette, as vendas para os clientes chineses chegaram a representar 50% do total comprado pelos turistas internacionais – o que levou o grupo a abrir uma loja especificamente para este público. Porém, oferecer luxo também custa alto. Para manter estruturas imensas como essas, de 20 mil metros quadrados em alguns dos endereços mais caros do mundo, a queda radical das vendas impôs desafios igualmente gigantescos. Procuradas, as duas lojas não responderam aos pedidos de entrevistas e não têm se manifestado à imprensa. Mas um documento obtido pelo canal francês TF1 indicou que a Lafayette antecipa um prejuízo recorde de € 928 milhões neste ano, em relação a 2019. A crise já resulta em portas fechadas no interior da França, como as lojas Printemps de Metz e Estrasburgo, no leste, e a revenda de 11 lojas das Galerias Lafayette espalhadas pelo país. Impactos da pandemia também no público francês "O que vemos é que o modelo da loja de departamento não vai bem em todo o mundo. Ele está se reinventando. Em Nova York, estamos vendo uma migração para formatos de mais proximidade, mais urbanos, bem menores e inseridos em bairros percebidos como centros de experiência e novas descobertas”, constata Véronique Varlin, diretora associada do ObSoCo, consultoria francesa especializada em consumo. A clientela doméstica que restou não compensa os gastos desmedidos dos chineses, mas precisa urgentemente ser reconquistada. Para completar a equação, a pandemia consolidou o comércio online e ainda levou os franceses a reflexões como uma maior sensibilidade ao consumo sustentável. "Estamos vendo que a loja física ainda tem o seu espaço garantido junto ao público, mas ela precisa oferecer algo a mais do que os sites na internet”, ressalta Varlin. "Elas são obrigadas a propor coisas novas. E as lojas de departamento sempre foram isso, lugares para o cliente viver experiências.” Grifes de segunda mão Em resposta aos contratempos, as Galerias Lafayette e a Printemps lançaram mão de estratégias semelhantes: abriram espaços especializados em moda de "segunda mão”, algo inimaginável há pouco tempo. A ideia é que bolsas, vestidos e sapatos de marcas prestigiosas a preços mais em conta poderão atrair de volta as clientes francesas e europeias de passagem, já adeptas desse tipo de compra em sites especializados. “Assim como a moda e o consumo em geral, as lojas de departamentos e o setor do luxo também são impactados pela maior expectativa do consumidor em relação ao meio ambiente. A compra de produtos de segunda mão é cada vez mais percebida como um comportamento responsável e ecológico”, frisa a especialista. "Mas possibilita também, e não vamos negar, o acesso a grandes grifes a um preço mais acessível – sem falar que dá a chance de o consumidor ter o prazer de conseguir encontrar uma pérola rara entre as peças usadas." Outra tática, desta vez para consolidar a oferta online, é experimentar a moda de “live shopping”, em que um vendedor apresenta os produtos em um vídeo ao vivo pelas redes sociais e os internautas podem comprá-los, em poucos cliques. O conceito virou febre entre a juventude chinesa e agora seduz os jovens europeus. "Já começou a pegar. Várias lojas grandes, como Carrefour e Sephora, já fazem isso, e parece estar funcionando porque todos continuam a fazer”, diz Véronique Varlin. "Podemos imaginar, sim, que esse método tende a se desenvolver, já que funcionou tão bem nos países asiáticos."
    12/1/2021
    7:20
  • Radar econômico - Anúncio da China sobre desmatamento ilegal coloca agro brasileiro sob pressão
    Duas linhas da declaração conjunta assinada por Estados Unidos e China durante a Conferência do Clima de Glasgow (COP26), na semana passada, colocam o agronegócio brasileiro sob pressão. Os dois países, os maiores parceiros comerciais do Brasil, se comprometeram a “apoiar a eliminação do desmatamento ilegal global” via importações – um objetivo que atinge em cheio as exportações agrícolas do país.  Lúcia Müzell, da RFI A China responde por cerca de 30% das vendas do Brasil, sobretudo de matérias-primas. Se Pequim decidir exigir certificação ambiental da soja ou da carne brasileiras, o setor terá urgência em acelerar a rastreabilidade da cadeia, que permite identificar se determinado produto não foi cultivado sobre áreas desmatadas ilegalmente.  A declaração sino-americana na COP26 alega que "a eliminação do desmatamento ilegal global contribuiria significativamente para o esforço de atingir as metas do Acordo de Paris”. Washington e Pequim ressaltam que "pretendem se engajar” no tema "por meio da aplicação efetiva de suas respectivas leis de proibição de importações ilegais”. "O fato de o Brasil ter apresentado na COP26 a meta de redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050, e do outro lado a China e os Estados Unidos assinarem uma declaração como essa, só reforça a visão de que a agricultura brasileira tem que se descolar do desmatamento ilegal”, frisa Rodrigo Lima, sócio da consultoria especializada Agroícone. "Talvez a forma mais robusta para fazer isso seja a implementação do Código Florestal de forma efetiva. A agricultura brasileira precisa ter o Código Florestal como uma informação positiva e transparente do compliance ambiental e do não desmatamento, para poder vender.” Parceiros cruciais O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja e atende a mais de 60% da demanda chinesa. Desde o ano passado, o país também se tornou o maior fornecedor de carne bovina para a potência asiática. As duas culturas, entretanto, são apontadas como as principais causadoras do desmatamento da Amazônia e no Cerrado – a floresta é devastada para dar lugar a pastagens, que depois de alguns anos se tornarão área de plantio de soja. O país tem urgência, portanto, em garantir uma cadeia de produção sustentável. Os Estados Unidos já caminham para adotar restrições aos produtos resultado de desmatamento. O Congresso americano estuda um projeto de lei apresentado em outubro, prevendo a medida para commodities como soja, óleo de palma e gado, entre outros. O texto da Lei Florestal 2021, formulado por dois congressistas democratas e que poderá ser adotado em 2022, menciona o Brasil e afirma que "a pecuária é o maior impulsionador do desmatamento na Floresta Amazônica e outros biomas, e 95% de todo o desmatamento ferem a lei”.  A China, por sua vez, se compromete com o tema pela primeira vez. Uma pequena amostra de um corte das importações devido ao desmatamento pode ser sentida neste momento: Pequim paralisou a compra de carne bovina há seis semanas, devido a ocorrência de dois casos de Mal da Vaca Louca. O embargo fez as exportações do setor despencarem 43% em outubro.  A China é o primeiro destino das exportações do Brasil: no primeiro semestre, as vendas cresceram 39,5%, na comparação com o mesmo período de 2020, num total de mais de US$ 47 bilhões. O volume exportado para os Estados Unidos, o segundo colocado, foi mais de três vezes menor, chegando a US$ 13,3 bi, conforme dados da Comex. Desafio da rastreabilidade Muni Lourenço, vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), alega que, apesar dos recordes recorrentes do desmatamento nos últimos anos, o problema é uma questão “residual”, que ocorre em 2% dos mais de 5 milhões de produtores registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), previsto no Código Florestal. "A nossa posição é que a questão do desmatamento ilegal vai além da operação de comando e controle. A punição deve haver, claro. Mas tão importante quanto são as políticas públicas como de regularização fundiária, regularização ambiental, infraestrutura, assistência técnica para os pequenos produtos, para que os produtores possa intensificar a sua produção na área permitia de produção, sem a necessidade de pressão de abertura de novas áreas”, assegura. "Na rastreabilidade, nós acreditamos que seja muito importante um processo que já está em curso, de análise dos Cadastros Ambientais Rurais pelos órgãos de governo, principalmente dos Estados, para a adesão ao PRA, também previsto no Código Florestal, para os produtores com passivo ambiental”, salienta. Os grandes frigoríficos brasileiros aperfeiçoam a rastreabilidade da sua produção, mas o maior desafio é o controle de pequenos produtores – cuja carne acaba entrando na cadeia, extremamente vasta, do setor. Arnaldo Carneiro Filho, ex-pesquisador do Ipam (Instituto de Pesquisas Ambientais na Amazônia) e fundador da consultoria Sinapsis, especialista no tema, avalia que o Brasil já é capaz de oferecer essa garantia, mas ainda não a implementa como deveria. "Do ponto de vista de conhecimento, isso não é mais um desafio para o Brasil. A gente sabe como resolver. Eles têm a capacidade tecnológica de monitorar a cadeia como um todo – desde o fornecimento dos indiretos, que é o maior grande gargalo. A rastreabilidade é possível, não só territorial como a transferência, via block chain, dessa informação para dentro da indústria”, explica Carneiro. “No caso da cadeia da pecuária, o Brasil consome 80% da sua produção de carne. Ou seja, tem um desafio interno, de conscientização, de combate à grilagem de terras, que é fundamental. O que nos salva é que boa parte do mercado de exportação são aquelas que abastecem o mercado interno. Então se conseguirmos um alinhamento, fechamos os dois mercados.” União Europeia prestes a anunciar medidas Além dos dois gigantes chinês e americano, os europeus também estão prestes a apertar o cerco contra o desmatamento importado, de acordo com uma proposta da Comissão Europeia a ser divulgada nos próximos dias. A verificação das áreas de plantio poderia ser comprovada por satélites da própria UE, conforme antecipou o comissário europeu do Meio Ambiente, o francês Pascal Canfin, à agência Ansa. Desta forma, o bloco se dota de mais meios para comprovar a veracidade da documentação entregue pelo Brasil, sobre as suas exportações.  O avanço do desmatamento da Amazônia no início do governo de Jair Bolsonaro representa a principal entrave para a ratificação do acordo comercial entre o bloco e o Mercosul. O tratado foi assinado em 2019 entre as duas partes, mas a sua entrada em vigor encontra-se paralisada.
    11/17/2021
    5:55
  • Radar econômico - "Taxa de CO2 será aceita quando houver alternativas aos combustíveis fósseis", aposta Maurício Tolmasquim
    É um problema intergeracional. Já que são as populações de hoje que precisam fazer mudanças para garantir o controle das temperaturas do planeta e assegurar as condições de vida das futuras gerações. Mas a questão, ainda sem resposta é: quem está disposto a pagar por isso? A revolta dos coletes amarelos, na França é um exemplo de que a solidariedade em relação ao futuro pode ficar em segundo plano, mesmo quando a comunidade científica alerta para o papel destruidor dos combustíveis fósseis.    Em Glasgow, na Escócia, o presidente da COP 26, Alok Charma, foi contundente no combate a esses vilões do aquecimento global. "Hoje estamos publicando um acordo para acabar com o investimento em carvão. E para aumentar em escala as energias limpas", disse, na semana passada.  Uma das soluções apontadas por especialistas para a transição energética seria aumentar os custos dos combustíveis fósseis, mais poluentes e que emitem os temidos gases de efeito estufa. Porém, esta é uma medida impopular, capaz de suscitar revolta, como já aconteceu aqui França, quando o governo do presidente Emmanuel Macron tentou aumentar encargos sobre os combustíveis, provocando a fúria dos coletes amarelos, a partir de novembro de 2018.  Gota d'água A decisão de aumentar impostos sobre a gasolina e o óleo diesel foi a gota d’água, afetando as classes populares e moradores das periferias e zonas rurais, onde o carro é essencial para ir ao trabalho, como explicou à RFI Xavier Renou, representante dos coletes amarelos, em entrevista concedida em setembro de 2020. "A mobilização na sua origem, nasceu de uma situação estrutural que perdura, mas também de um momento conjuntural sobre o aumento dos custos dos combustíveis", contextualizou.    O movimento ganhou as ruas do país e se fracionou em diversas outras pautas de cunho social. O professor Maurício Tolmasquim, do programa de planejamento energético da COPPE/UFRJ, explica o porquê dessa resistência. "É claro que do ponto de vista ético, é fundamental a questão da solidariedade com as gerações futuras. Mas é compreensível, também, que as pessoas estejam muito ligadas ao seu presente, ao seu cotidiano hoje. E que tudo aquilo que reduz o seu poder de compra, o seu orçamento acaba tendo uma certa reação. Por isso, é importante irem surgindo novas alternativas que suavizem os efeitos dessas mudanças", afirma.  "Isso não é um caso exclusivo da França, existe realmente uma sensibilidade muito grande das populações em geral. A gente teve na América Latina um caso semelhante, no Equador, e em vários outros lugares você tem ações grandes quando aumenta o combustível", completa. O engenheiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro lembra que as sociedades só têm duas escolhas: uma economia descarbonizada com estímulos para investimentos verdes ou a velha e suja economia poluente. Dilema moderno "É um dilema. As pessoas são favoráveis às ações de combate a mudanças climáticas, mas querem evitar assumir este custo", ele diz. "Se você perguntar às pessoas se elas são favoráveis à redução dos gases de efeito estufa, todo mundo é favorável. Se você disser vamos reduzir o desmatamento, a não ser os que têm interesses na queima da flroesta, o resto é contra o desmatamento. Porém, se você impõe uma ação que implique um sacrifício, alguns vão aceitar, os mais imbuídos de preocupação ambiental. Mas a grande massa, apesar de achar importante a questão, não está disposta a abrir mão de parte do seu poder de compra", insiste. Tolmasquim sugere outras ações capazes de mudar essa perspectiva. "É claro que há outros mecanismos que são mais fáceis de promover redução de gases de efeito estufa do que as taxas: você incentivar as fontes renováveis de energia, como eólica e solar", ensina. "Eu acho que essa questão da taxa de CO2 será mais bem aceita quando se tiver alternativas ao carro e aos combustíveis fósseis. Se o carro elétrico baratear, a taxa do CO2 será mais bem aceita, porque mesmo que a gasolina fique mais cara, o diesel fique mais caro, o consumidor vai ter uma alternativa que é o veículo elétrico", diz. "A gente tem que ir criando essas alternativas, de maneira que seja mais palatável para a sociedade aceitar esses aumentos que levem à indução dessas mudanças de tecnologia para uma tecnologia mais limpa", completa. Maurício Tolmasquim ainda observa que problema é mais complicado para os países europeus do que para o Brasil, que tem 48% de sua matriz energética de fontes renováveis, mas cuja lição de casa recai sobre o controle do desmatamento.
    11/10/2021
    4:51
  • Radar econômico - Fatores externos influenciam, mas não justificam inflação a dois dígitos no Brasil
    A recuperação do impacto brutal da pandemia de coronavírus leva a inflação a subir na maioria dos países do mundo, mas a conjuntura internacional não explica o nível chegar a dois dígitos no Brasil. O acumulado no período de 12 meses atingiu 10,25%, o valor mais alto em cinco anos. Projeções da OCDE apontam que o país poderá finalizar o ano com um dos índices mais elevados (7,2%) entre as maiores economias, atrás apenas de Argentina e Turquia. A média nos países do G20 deve ser de 3,7%. Sim, o dólar alto, o aumento dos preços da energia e a penúria de matérias-primas no mundo, resultado da explosão da demanda, puxam os preços para cima. No entanto, as incertezas domésticas fazem com que esses fatores tenham maior peso no Brasil e produzam choques de preços. "Não se trata de excesso de demanda, a forma tradicional de se diagnosticar o problema da inflação. A atividade econômica está morna”, explica o consultor econômico Raul Velloso, doutor pela Universidade de Yale. "A taxa de câmbio é o principal elemento de choque de preços, e ela decorre de vários fatores que nem sempre ocorrem em outros países.” A instabilidade política crônica e a falta de clareza fiscal continuam afastando os investidores estrangeiros do país –em seu pior nível em 20 anos, conforme dados recentes da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). Com dólar saindo mais do que entrando na economia brasileira, o câmbio permanece elevado, com impacto nos preços. O real foi uma das moedas que mais se desvalorizou durante a pandemia. "Cada país pode ter efeitos próprios de realimentação da inflação pelas expectativas. O governo tinha de evitar a fuga de capitais. Tinha de se comportar melhor, combater melhor a pandemia. São fatores que não são necessariamente econômicos”, destaca Velloso. "Se o governo tem um diagnóstico errado ou frágil do que é o problema e continua agindo sem querer mudar posicionamentos que trazem mais pessimismo, aí foge capital, o dólar sobe, as pessoas esperam por mais inflação. Hoje, está todo mundo apavorado aqui.” Escolhas políticas O economista da UFRGS Marcelo Milan ressalta ainda que determinadas escolhas políticas e econômicas, como o agronegócio focado na exportação, também levam o país, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, a enfrentar a disparada dos preços da cesta básica. “Como se tem uma migração das culturas de abastecimento interno para culturas de exportação, como a soja, diminuiu-se a área plantada para gêneros de abastecimento interno. Quando a gente vê a o cafezinho caro no Brasil, é um sinal importante de que as coisas estão indo para um caminho equivocado e perigoso”, sublinha o economista. "Outro componente importante é a decisão da política de preços da Petrobras, de atrelar o preço do petróleo aos preços do barril lá fora, apesar da alta taxa de câmbio atualmente. O governo privilegia os poucos acionistas e abre mão de utilizar a empresa mais estrategicamente para conter essa pressão de custos, que são repassados nos preços da gasolina, do diesel. É uma decisão política de fazer com que toda a volatilidade lá fora seja absorvida pelos preços no Brasil”, avalia.  Perda do controle Os dois economistas veem com preocupação o recurso ao aumento da taxa de juros para conter a inflação, num quadro de economia desacelerada como o atual. O remédio poderia atrasar ainda mais a recuperação econômica e levar o país a uma bola de neve de problemas: crédito mais caro, preços ainda mais altos, menos investimentos e menor geração de empregos. Entretanto, o risco de descontrole da inflação, como nos anos 1980, parece afastado. "Eu acho que não chega a esse ponto. Ela vai ficar perturbando a gente, mas eu não creio que isso vá virar um processo endêmico como nós tínhamos, porque muitos desses efeitos atuais vão e vêm”, afirma Velloso. "Tem uma coisa importante: nós não temos mais o pecado original, ter dívida pública emitida no exterior, em dólar. Pelo contrário, a gente tem reservas de 300 a 400 bilhões de dólares." Outro fator determinante, destaca Milan, é que os reajustes dos salários não acompanharão a inflação. O poder de compra das famílias sai prejudicado, mas não haverá  pressão salarial acentuando o quadro inflacionário e  desencadeando uma situação fora de controle. “A reforma trabalhista reduziu o poder de barganha dos trabalhadores, o papel e o poder dos sindicatos, de modo que o mecanismo de repasse dos preços para os salários está contido”, salienta o professor da UFRGS. "Mas se os salários não conseguem mais compensar a inflação e a corrosão do poder de compra, isso vai se refletir naqueles quadros trágicos que temos visto, de pessoas comendo carcaças, ossos. A população mais pobre não tem mais como comprar gás de cozinha”, ressalta. As previsões de crescimento do PIB em 2022 estão modestos: os cenários mais otimistas não esperam mais do que 2,5%, um patamar insuficiente para levantar um país emergente como o Brasil.
    10/12/2021
    7:07
  • Radar econômico - OCDE e EUA sinalizam abertura para entrada de novos membros na organização, incluindo Brasil
    A entrada do Brasil na OCDE volta à pauta esta semana, durante a reunião ministerial anual da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico iniciada nesta terça-feira (5), em Paris. Com a pandemia de coronavírus e um impasse diplomático entre americanos e europeus sobre o tema, a adesão de novos países está paralisada há meses. Na abertura do evento nesta terça-feira (7), na sede da entidade em Paris, o secretário-geral da organização, Mathias Cormann, reforçou o objetivo de abrir as portas do órgão para seis novos países: Argentina, Brasil, Bulgária, Croácia, Peru e Romênia. Segundo ele, o ingresso representa "a maneira mais direta e efetiva para garantir a melhor aplicação dos nossos valores comuns, princípios e padrões”. “Toda democracia baseada na economia de mercado que submete um genuíno interesse em se unir à OCDE, demonstrando um compromisso genuíno de continuar as reformas necessárias para cumprir todos os requisitos da OCDE, deveria ter a oportunidade de fazê-lo”, argumentou, antes de afirmar que os seis atuais candidatos "demonstraram claros progressos”, ao adotarem progressivamente os padrões recomendados pela entidade. "Todos eles estão esperando há vários anos por uma resposta. Nós precisamos decidir sobre as candidaturas”, frisou. "Nas semanas seguintes a essa reunião, eu pretendo trabalhar com os membros para encontrar uma saída para que os países tenham as suas candidaturas analisadas num processo apropriado e técnico.” Posição americana A grande dúvida é saber como os Estados Unidos vão se posicionar sobre a questão daqui para a frente. Desde que assumiu a presidência, Joe Biden ainda não esclareceu se é favorável a uma maior abertura ou se manterá restrições à entrada de mais membros, como fazia Donald Trump em relação aos candidatos do leste europeu. Nesta terça, o secretário de Estado americano, Antony Blinken – que copreside a reunião ministerial – sinalizou uma abertura. Ele ressaltou a importância histórica da organização para a promoção da democracia pelo mundo, ante a emergência de regimes nacionalistas. "Os Estados Unidos estão comprometidos em ver a organização continuar a crescer mais forte. Estamos prontos para trabalhar com os membros para construir um consenso para avançar”, declarou. "Países candidatos que compartilham os nossos valores e chegam aos mais altos padrões da OCDE podem continuar o seu caminho para o ingresso. (…) Não importa quantos desafios significativos nós enfrentaremos, eles serão vencidos quando enfrentados juntos.” Os processos de adesão de mais países não estão na pauta oficial do evento, e anúncios nesse sentido surpreenderiam. Mas o assunto será tratado nas reuniões, que acontecem a portas fechadas por dois dias. “Melhor momento” para o Brasil, afirma secretário-executivo da Economia O secretário-executivo do Ministério da Economia do Brasil, Marcelo Guaranys, é um dos representantes de Brasília no encontro. O país tenta integrar a organização desde 2017 e, nos últimos quatro anos, triplicou as adesões aos instrumentos legais da entidade, atingindo 100 dos 247 aspectos. "Eu acho que a sinalização positiva para que a gente destrave isso é muito importante. Há muitos anos, o Brasil tem uma proximidade com a OCDE muito grande, já compartilhamos valores há muitos anos”, ressaltou, em entrevista à RFI. “É muito importante para dar um guia para as nossas reformas e as mudanças nas nossas políticas públicas, para melhorar o nosso ambiente de negócios, tornar a nossa economia mais digital, aumentar a sustentabilidade da nossa economia”, explicou. Questionado se a atual imagem negativa do Brasil no exterior – em especial quanto à política ambiental, mas também pelas falhas no combate à pandemia e as ameaças à democracia pelo presidente Jair Bolsonaro – poderiam prejudicar a candidatura do país, Guaranys avaliou que “estamos no melhor momento nos últimos 20 anos em relação ao alinhamento com a OCDE”. "Obviamente, temos uma discussão sobre como a nossa comunicação chega para fora do país. Mas acho que não há dúvidas sobre os nossos alinhamentos democráticos. Acho que temos dado manifestações claras da solidez das nossas instituições”, disse. "A pandemia foi completamente inesperada para todos e, na economia, tivemos um papel crucial na diminuição dos impactos econômicos dela. Nossos programas foram vistos, valorizados e elogiados no mundo inteiro, não só o auxílio emergencial, como o benefício emergencial para a manutenção de emprego”. O secretário-executivo da Economia reconhece, entretanto, que mais esforços de comunicação devem ser feitos na questão ambiental. "Nós temos que de fato que melhorar a nossa comunicação sobre as nossas políticas de sustentabilidade – que, de fato, têm sido muito criticadas fora. Talvez não pelo todo, mas especificamente pelo desmatamento. Acho que esse seria hoje o grande ponto político nas discussões da OCDE”, disse. A comitiva brasileira inclui ainda Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, Carlos Alberto Franco França, das Relações Exteriores, e João Roma, da Cidadania. O encontro se encerra nesta quarta-feira (6).
    10/5/2021
    6:04

Über ECONOMIA

Sender-Website

Hören Sie ECONOMIA, A história do Brasil nas ruas de Paris und viele andere Radiosender aus aller Welt mit der radio.de-App

ECONOMIA

ECONOMIA

Jetzt kostenlos herunterladen und einfach Radio & Podcasts hören.

Google Play StoreApp Store

ECONOMIA: Zugehörige Podcasts

ECONOMIA: Zugehörige Sender

Information

Wegen Einschränkungen Ihres Browsers ist dieser Sender auf unserer Website leider nicht direkt abspielbar.

Sie können den Sender alternativ hier im radio.de Popup-Player abspielen.

Radio