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  • Com Lula ou Bolsonaro, investidores vislumbram potenciais no Brasil após eleições
    As eleições costumam vir acompanhadas de nervosismo nos mercados financeiros – mas, desta vez, os temores quanto ao resultado da votação do próximo domingo (2) parecem já ter sido assimilados. Com Jair Bolsonaro reeleito ou Luiz Inácio Lula da Silva de volta à presidência, os investidores nacionais e estrangeiros vislumbram um momento de oportunidades para voltar os olhos para o Brasil.  Diferentemente de 2018, quando havia uma preferência clara pela derrota do Partido dos Trabalhadores, agora os mercados parecem olhar com mais indiferença ao processo eleitoral brasileiro – ainda que a política econômica do atual presidente seja mais alinhada com o que esperam os mercados. “Eu acho que isso já está precificado. O mercado, em geral, vai aceitar bem um ou outro. Se for o Bolsonaro, a gente sabe o que é o governo dele. O próprio Bolsonaro não entende nada de economia, mas o Paulo Guedes, sim, e pretende diminuir a carga tributária e ser um governo com responsabilidade fiscal”, afirma João Peixoto Neto, sócio-diretor da Ouro Preto Investimentos. “Quanto ao Lula, eu espero, e o mercado também, que ele repita os quatro anos do primeiro governo dele, que foi de muita responsabilidade. Não teve nenhum loucura esquerdista.” André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, segue na mesma linha. "O mercado financeiro tem que ser o mais frio possível para analisar o fenômeno eleitoral. Falar de ‘candidato preferido’ é mal colocar a questão, no sentido de que dá para ganhar dinheiro nos dois lados”, ressalta. "Mas do ponto de vista do indivíduo, muitos no mercado preferem o presidente Bolsonaro.” Investimentos sustentáveis  A percepção sobre o próximo presidente muda conforme a origem – os investidores nacionais tendem a preferir a continuidade. As saídas dos nacionais dos fundos de ações brasileiros ante à perspectiva da volta do PT ao poder já acumula R$ 55 bilhões no ano. Já os estrangeiros veem com bons olhos a volta do petista. Muitos ainda se lembram com nostalgia da época em que os investimentos em títulos e ações no Brasil resultavam em retornos de dois dígitos, nos anos 2000, em pleno boom das commodities. "A impressão que eu tenho, conversando com clientes estrangeiros e, obviamente, com os nacionais, é que tem uma leitura um pouco menos assustada, ressabiada, do estrangeiro em relação à gente. Mas existem questões que são importantes para ambos, especialmente os estrangeiros: entender a dinâmica fiscal do Brasil”, sublinha Perfeito. Apesar da perspectiva de um Estado mais inflado e protecionista, o retorno de Lula significaria a volta do Brasil ao cenário internacional. Bolsonaro se tornou persona non grata no exterior, num contexto em que os aspectos ambientais assumiram protagonismo nas escolhas das grandes companhias e fundos, observa Fernando da Cruz Vasconcellos, diretor da Valuation Consulting, em Londres. "Se tiver disciplina fiscal e continuar fazendo as reformas necessárias – apesar de ser muito difícil, como a gente tem visto –, o Brasil tem um futuro muito promissor em ESG [ambiental, social e governança], que cada vez mais está no centro das atenções dos investidores do mundo inteiro”, avalia. "O Brasil tem potencial de liderança em investimentos sustentáveis." "Meirelles mexe o coração" Além de Lula prometer uma guinada na política ambiental, o recente apoio de Henrique Meirelles à candidatura do petista e os acenos da campanha rumo ao Centrão acentuaram a ideia de que o seu eventual governo tende a ser moderado nas pautas que costumam causar arrepios nos mercados, como descontrole dos gastos e intervencionismo econômico. "O apoio de Meirelles pesa, sim. Meirelles mexe o coração", brinca Perfeito.  Outro aspecto que gera otimismo é que o Brasil sinaliza já ter encerrado, num patamar elevado, o ciclo de alta de juros que continua a se espalhar pelo mundo, a exemplo dos Estados Unidos e da Europa, para combater a inflação. A indefinição sobre até quando este processo vai se estender tem levado os aportes à Bolsa do Brasil a crescerem – ultrapassando os R$ 17 bilhões só em agosto e o Ibovespa subiu 8,8%. "O Brasil é a sexta economia do mundo e que mais atraiu investimentos estrangeiros diretos em 2021. Os investidores também estão vendo agora que os mercados acionários estão baratos atualmente no Brasil, os equity markets. Isso atrai tanto brasileiros quanto estrangeiros”, frisa Vasconcellos. "A maior parte desse movimento é liderado por corporações, empresas ou investidores privados, mas com certeza a imagem do presidente pode ter impactos positivos ou negativos nos negócios brasileiros – principalmente nos que vem do exterior.” Ninguém espera uma virada espetacular na economia brasileira, mas a tendência de recuperação anima. O país vem de quase uma década de crise – em 2010, a participação de ações brasileiras nos portfólios internacionais chegava a 2%, índice que despencou para 0,2% hoje. O espaço para recuperação, portanto, é amplo.  "O Brasil viveu um processo de ajuste monetário muito grande, com a Selic passando de 2% para 13,5%. Isso já cobrou um preço na Bolsa. Não dá para imaginar quedas muito mais fortes – se tem algum risco, é risco maior é de subir”, diz Perfeito. Oportunidade entre emergentes Com a China desacelerando, a Rússia em guerra e a Europa em plena crise energética, o Brasil figura como um mercado emergente com potencial em 2023, ressalta João Peixoto Neto. "Eu acho que o pessoal está vendo essa oportunidade, de que é melhor colocar as nossas fábricas aqui perto dos Estados Unidos e da Europa, do que ter fábricas na China e correr riscos envolvendo os rumores sobre o Partido Comunista chinês, de invadirem Taiwan e ser um repeteco do que está acontecendo entre e Rússia e a Ucrânia”, compara. “O Brasil tem recursos naturais infindáveis, uma mão de obra relativamente qualificada e não tem problemas estruturais na economia. É a bola da vez pra investimentir, mas qualquer um dos presidentes pode estragar com uma má gestão das finanças públicas”, pondera Peixoto Neto.
    9/28/2022
    6:30
  • Na espera do PIX internacional, fintech já oferece pagamentos instantâneos em reais no exterior
    Em breve, vai ser possível fazer pagamentos instantâneos entre países e pagar menos por isso. Um modelo de “PIX internacional” está sendo testado pelo BIS, o Banco Central dos Bancos Centrais, com sede na Suíça. A iniciativa Nexus reúne 60 países que já disponibilizam um sistema de pagamento imediato como o brasileiro – considerado um exemplo de sucesso e eficiência. Além de rápidas, as transações costumam dispensar taxas cobradas no sistema tradicional bancário. “O PIX é espetacular nesse sentido. Teve uma adoção muito fácil, com uma usabilidade muito boa e resolve o problema de quem não tem acesso a banco, a dinheiro, em lugares onde às vezes não tem agência bancária. Ele foi muito bem desenhado – e está só no começo. Acho que ainda tem muita coisa que vai vir”, sublinha o economista Gustavo Cunha, especialista em inovação e fundador da Fintrender, em Portugal.   Os testes com o Nexus estão simulando pagamentos entre Malásia, Cingapura e a Itália, que representa a zona do euro. O BIS ressalta que enviar dinheiro para o exterior muitas vezes ainda é lento e caro. "A conexão desses sistemas nacionais internacionalmente poderia melhorar a velocidade, o custo e a transparência dos pagamentos transfronteiriços.” Disparidades entre os países Os países emergentes e principalmente os asiáticos, como China e Índia, disponibilizam “os PIX” mais avançados, que abrangem centenas de milhões de chaves cadastradas. Mas as disparidades ainda são grandes em relação ao resto do mundo. Fazer a ponte entre os sistemas financeiros representa uma imensa oportunidade, ressalta Cunha. “Dentro da Europa, ainda tem bastante diferenças. Aqui em Portugal, tem um sistema de pagamento instantâneo que funciona mais ou menos como o PIX, o NBWay. Mas nos Estados Unidos, por exemplo, ainda não tem um totalmente integrado. Eles preveem de adotar um no ano que vem”, afirma. Viabilizar a conexão entre os diferentes sistemas nacionais, com segurança e eficiência, é o principal desafio do Nexus. O documento do BIS sobre o projeto destaca que para relacionar três países, são necessárias três conexões. Mas para ampliar para 20, esse número dispara para 120. Graziela Fortunato, coordenadora do MBA de Finanças Corporativas da Escola de Negócios PUC-Rio, acrescenta outros obstáculos. “Uma das barreiras ainda é a legislação cambial, como vamos lidar com o câmbio nas operações. Isso pode explicar por que ainda não foi liberado o PIX internacional”, aponta. “A parte de custos também é um desafio, porque todo o sistema bancário vai ter que se modernizar – assim como o nosso Banco Central teve que se modernizar no período pré-implantação de PIX.” Pagar com PIX em Paris Enquanto isso, uma fintech brasileira já oferece pagamentos instantâneos em reais no exterior, em algumas das cidades preferidas dos brasileiros na Europa e na América Latina. A gama de lojas credenciadas ao VoucherPay ainda é limitada, mas nestes estabelecimentos, o cliente tem o IOF reduzido de 6,38% para 0,38%, além de uma taxa pelo serviço. Ao comprar em Paris e pagar no Brasil, o turista tem a chance de poder parcelar o valor. “O cliente brasileiro pode pagar com PIX ou parcelar nas lojas conveniadas. Se ele compra 200 euros, ele vai pagar 10 vezes de R$ 198, afinal ele paga em reais. A gente já faz a conversão com o câmbio de hoje, que está R$ 5,28. A taxa neste caso é de 1,8% ao mês”, explica Juliane Oliveira, diretora de comunicação do grupo Brapago Payments do Brasil, por trás da iniciativa. A expansão dos pagamentos instantâneos pelo mundo vai acabar beneficiando o serviço. Na França, por exemplo, a população ainda é pouco familiarizada às transações como as com o PIX. “Aqui na França, tem um pouco mais de resistência com o serviço porque é algo novo com o qual os franceses não estão acostumados. É um produto brasileiro que está chegando num novo mercado”, diz Oliveira. “Ao mesmo tempo, existe a surpresa de que o serviço poderá atrair mais brasileiros.”
    9/14/2022
    5:40
  • Inflação alta leva franceses a buscarem preços baixos em lojas de ponta de estoque
    A alta da inflação preocupa os consumidores mundo afora e a França não foge à regra. O índice chegou a um recorde de 6,1% em julho, no acumulado do ano, e leva os franceses a quebrarem o tabu das lojas de pontas de estoque, que registram aumento da frequentação em todo o país. Os preços nas prateleiras não param de subir e o valor dos produtos de base assustam não só os clientes de baixa renda, mais atingidos pelo contexto econômico, como também a classe média. Nos supermercados, agora é comum ter de pagar € 4 (R$ 20) por um quilo de tomates. Na cidade de Lisieux, na Normandia, o mercado de pontas de estoques O’Destock abriu as portas no começo do ano e tem atraído clientes que não conseguiam mais adquirir certos produtos. “Aqui eu posso pegar coisas que eu não poderia necessariamente comprar no supermercado. São pequenos prazeres que nós todos precisamos. A situação está cada vez mais difícil”, disse uma cliente à repórter da RFI Arianne Gaffuri, que visitou o local. “A gente trabalha, a gente tem um salário, mas está se privando de ir em restaurante, de tirar férias fora. Então aqui eu encontro pequenos prazeres.” Nesta loja, encontram-se principalmente alimentos e artigos para a casa. As ofertas mudam todos os dias, conforme a chegada, e em geral saem pela metade do preço do supermercado. “O preço da água está bem interessante. Estou comprando as minhas bebidas todas aqui. As bolachas também. Não tínhamos uma loja assim aqui e fazia falta”, comentou outra cliente. Produtos menos apresentáveis “Estamos sempre de olho e podemos chegar a preços muito bons em um determinado tipo de produto que talvez nunca mais apareça de novo. Hoje, por exemplo, temos essa promoção de pão de milho, que encontramos num estoque”, explicou o gerente do estabelecimento, Vincent Dudonné. “No dia a dia, isso significa que contatamos os atacados, os fornecedores e até as empresas de transportes que acabam acumulando produtos que, por uma razão ou por outra, não foram entregues onde deveriam.” Ou seja, são produtos que tiveram algum tipo de problema. Alguns são considerados invendáveis dos supermercados comuns. “O problema pode ser um erro no pedido da loja, que pediu, por exemplo, dois lotes de um produto e foram entregues três. Se a loja recusa essa parte a mais da entrega, ela pode parar aqui”, afirma Dudonné. “Também temos lotes que sofreram um acidente no transporte e os produtos ficaram num estado insatisfatório para os supermercados. É o caso destes copinhos para sorvete, que estão um pouco danificados. Quando acontece isso, em geral os supermercados recusam todo o lote”, aponta. O gerente sublinha que o local trabalha com o mínimo de funcionários possível, para evitar gastos com mão de obra e poder garantir o menor preço dos produtos. Por isso, nem sempre as mercadorias estarão colocados nas prateleiras – podem ficar dentro das caixas mesmo e os clientes pegarem diretamente, relata a caixa Natalie, a única empregada do O’Destock. “Quando não tem ninguém no caixa, eu vou para as prateleiras ajudar a arrumar, a colocar os preços e a destacar alguns produtos”, conta. Material escolar em alta Na internet, afloram influencers que fazem sucesso dando dicas de como e onde comprar mais barato no país. O canal “Mes Secrets de Nana”, por exemplo, já tem mais de 319 mil assinantes, em busca de conselhos sobre onde estão as melhores promoções do momento. Neste período do ano, a preocupação das famílias francesas é com a volta às aulas, em setembro. Os preços do material escolar estão 4,25% mais altos do que no ano passado. Uma pesquisa do CSA Research encomendada pelo organismo de crédito Cofidis apontou que 68% dos pais estão em busca de produtos mais em conta para os filhos e encontram alternativas em “atacadões”.
    8/25/2022
    6:15
  • Sanções internacionais asfixiam economia do Afeganistão
    A economia do Afeganistão está asfixiada. Depois que os talibãs tomaram o poder há um ano, o país mergulhou em uma grave crise financeira e humanitária. No total, 75% do orçamento do país dependia da ajuda internacional, que foi suspensa com a volta dos fundamentalistas religiosos. O desemprego explodiu e 70% das famílias afegãs não conseguem suprir suas necessidades básicas; 90% da população vive abaixo da linha da pobreza e 20 milhões de afegãos, mais da metade dos habitantes, passam fome.  Enviadas especiais da RFI ao Afeganistão, Sonia Ghezali e Clea Broadhurst Os bancos não têm liquidez e são obrigados a impor limites de saques semanais. O Banco Central afegão foi privado das reservas internacionais e US$ 7 bilhões em ativos foram congelados nos Estados Unidos depois que o Talibã assumiu o poder.  Embora os problemas econômicos tenham começado muito antes do retorno dos talibãs, a mudança de poder colocou o país de 38 milhões de pessoas à beira do precipício. Milhares de empresas entraram em colapso. As que sobreviveram estão lutando, vítimas de sanções internacionais que pesam sobre o país liderado por um governo cuja legitimidade não foi reconhecida por nenhum país até o momento. No bairro comercial de Herat, não falta nada nas prateleiras das lojas, mas os preços dobraram em um ano.  “O arroz custava cerca de 1.800 afegânis, hoje custa 3.000. E o óleo, que vem da Rússia, custava 450 afegânis e hoje custa 900”, diz o comerciante Aziz Ahmad Amiri. Esse valor é uma fortuna para uma grande parte da população, que caiu na pobreza extrema desde que o Talibã assumiu o poder. Aziz Ahmad Amiri teve de demitir cerca de 15 funcionários nos últimos meses. Ele conta que perdeu 50% de sua clientela e que luta para manter seu negócio. “A maioria das pessoas ricas deixou o país. E, sem pessoas ricas ou que tenham uma boa situação, não podemos fazer bons negócios. As pessoas que ficaram são pobres, então damos crédito a eles e temos clientes que nos devem dinheiro, mas que deixaram o Afeganistão”.  Os empresários também estão sofrendo com o peso das sanções internacionais. Jalil Ahmad Karimi é produtor de açafrão. O ouro vermelho é o grande orgulho de Herat, mas o produto perdeu 80% do faturamento.  Nova rota passa pelo Irã “Antes, enviávamos nossos produtos de avião diretamente para a Índia, China, Europa ou Estados Unidos. Agora é complicado porque temos que mandar tudo por caminhões para o Irã e depois enviar as encomendas para outros países.” Não há outra opção, porque as transportadoras internacionais não fazem mais o frete aéreo no Afeganistão. Outro problema, segundo o empresário, é o fim do acordo bancário com outros países. Com isso, Jalil Ahmad Karimi não recebe dinheiro há um ano e espera há vários meses o equivalente a € 334.000 de um cliente sediado na Índia a quem enviou 200 quilos de açafrão. “Como o Estado afegão não é reconhecido, as transferências bancárias do exterior são proibidas.” Najibullah Khairandish Fushanji importa farinha por atacado do Cazaquistão, óleo da Malásia, leite e conservas da China e arroz do Paquistão e da Índia. Mas, além das sanções internacionais, a inflação, devido à guerra na Ucrânia e a crise econômica no Irã e no Paquistão, têm um impacto direto em sua atividade. No entanto, ele destaca alguns pontos positivos:  “Pagamos 200 mil afegânis na alfândega, ou € 2.200 por cada caminhão carregado de mercadorias. Era propina. Nada era legal. Agora, cada produto é tributado de acordo com uma tabela tarifária. Agora é tudo legal." Como muitos líderes empresariais, ele espera o reconhecimento diplomático do Emirado Islâmico do Afeganistão, o que significaria a retirada das sanções internacionais.
    8/16/2022
    10:04
  • Quais as vantagens para o Brasil se a Argélia entrar nos Brics?
    Maior produtor de gás natural da África, a Argélia tem mostrado interesse em integrar os Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Estes países com economias em desenvolvimento são equivalentes a quase um terço do PIB mundial. Essa possível aproximação maior entre Brasil e Argélia é vista como algo positivo por especialistas ouvidos pela RFI. Paloma Varón, da RFI "O Brasil tem hoje uma relação muito tênue com a Argélia em termos comerciais e de investimentos. A entrada da Argélia nos Brics tenderia a aproximá-los e talvez promover atividades de cooperação entre os dois países em diversas áreas, como no caso da agricultura e na produção de outras commodities. A participação da Argélia neste grupo certamente implicaria uma aproximação maior entre os dois países o que é uma coisa positiva", analisa Fernando Ribeiro, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para o especialista em comércio exterior e economia internacional, o perfil diferente da Argélia seria um ganho para o grupo, que já é bastante heterogêneo: "O grande papel que o Brics tem exercido até o momento tem a ver com dar um pouco mais de peso a cada um desses países em termos de discussões em nível multilateral e também atividades de cooperação entre eles. Cooperação tecnológica, na área agrícola, que o Brasil tem muito a oferecer, mas também muito a aprender. Outra característica destes países é que são grandes produtores de commodities, o Brasil e a Rússia, com certeza, mas também a África do Sul e a própria China", explica o especialista. Cooperação econômica sai reforçada As recentes declarações do presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, sugerem a aproximação da Argélia com Moscou e Pequim na sequência do apelo à cooperação lançado pelo presidente russo, Vladimir Putin, durante a última cúpula dos Brics, em junho deste ano. De acordo com Ribeiro, a entrada da Argélia poderia trazer para os Brics o benefício de um país com perfil diferente, mas que ao mesmo tempo poderia trazer novos elementos para esta cooperação. E, para a Argélia, o de aumentar o peso do país na arena internacional. O economista especializado em Argélia Alexandre Kateb concorda que o país ganharia maior relevância global ao se aliar ao grupo dos Brics. "Isso permitiria à Argélia reforçar o seu papel diplomático e aumentar suas oportunidades econômicas nas instituições que começam a ser criadas pelos Brics, principalmente para facilitar as trocas comerciais, as transações financeiras entre os países do grupo e o estabelecimento de um sistema alternativo ao dólar no plano internacional", analisa Kateb.   Argélia cumpre com os requisitos, mas pode ter de esperar Que a Argélia é um forte candidato a fazer parte do Brics, isso é consenso entre os especialistas. A questão que se coloca agora é quando, visto que o R da sigla, a Rússia, está em guerra.  "O momento atual é complicado. Eu acho que a adesão de um país ao Brics no momento não deve acontecer por causa dessa incerteza gerada pela guerra, mas é algo que pode acontecer depois que a guerra terminar. Muito do que vai acontecer com o grupo vai depender de qual vai ser a conformação de forças no mundo após o final do conflito, quer dizer, como é que esta guerra vai terminar, qual vai ser o acordo que vai ser feito. Na verdade, isso vai depender muito de como vai ficar a situação da Rússia após o final desta guerra, como ela vai se encaixar novamente na ordem mundial", completa Ribeiro.
    8/10/2022
    5:36

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