Partner im RedaktionsNetzwerk Deutschland
Radio Logo
Der Stream des Senders startet in {time} Sek.

CULTURA

Podcast CULTURA
Podcast CULTURA

CULTURA

hinzufügen

Verfügbare Folgen

5 von 22
  • Celebrado na França, romance de senegalês é premiado no Brasil e será lançado depois da Flip
    Criado em 1903 em homenagem aos irmãos Goncourt, os escritores Jules e Edmond, o Choix Goncourt premia anualmente o melhor romance escrito em língua francesa. Em 2022, 12 universidades públicas do Brasil participaram desse projeto internacional, coordenado pela prestigiosa instituição francesa Prix Goncourt, com apoio da embaixada da França no Brasil. Nesta 4ª edição do prêmio, o laureado foi o romance "La plus sécrète mémoire des hommes", que será traduzido para o português. "Este ano, o Choix Goncourt Brésil aconteceu logo antes da Flip, o que possibilita encontrar escritores e dialogar com os atores do livro no mercado brasileiro", aponta Émilie Audigier, professora e coordenadora do projeto na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que participa pela primeira vez da premiação. "O fato do júri estudantil poder assistir à feira literária, coincidindo com as datas da premiação, foi muito importante. Pela primeira vez esse ano, o projeto acontece de forma presencial em Paraty, o que facilita muito os contatos, os diálogos e as possibilidades de interação", diz. Marion Loire, coordenadora do Escritório do Livro na embaixada francesa, explica que a tradução do livro vencedor para o português do Brasil é uma tradição do Goncourt Choix Brésil. "É uma das regras impostas pela Academia Goncourt para os Choix Goncourt internacionais, mas é também uma condição que nos parece fundamental", afirma. "É com a tradução que se alcança um público em geral, maior, e não necessariamente francófono e nem francófilo", avalia Loire. Ela aponta que a tradução é um dos principais eixos da diplomacia da França para promover a literatura do país no Brasil. Um programa favorece a publicação de até 25 títulos por ano, há mais de 25 anos. Entre os quatro finalistas do Choix Brésil de 2022, um já era traduzido, o 'Milwaukee Blues', do Louis-Philippe Dalembert. "O vencedor desse ano, 'La vie sécrète mémoire des hommes', do Mohamed Mbougar Sarr (vencedor do Goncourt 2021 na França), já tem editora no Brasil, mas ainda não posso dizer qual é, e será lançado em 2023 também com apoio da embaixada", conta Loire. O primeiro Goncourt Choix Brésil foi anunciado em 2019 na Feira Internacional do Livro de Paraty – um dos maiores eventos de promoção da literatura no Brasil e um grande parceiro da embaixada da França. Nos dois anos seguintes, a premiação aconteceu online devido à pandemia. Em 2023, será no Congresso Sul-Americano dos Professores de Francês, que vai reunir professores de 24 países da América Latina em Brasília, antecipa Marion Loire.  A professora francesa Émilie Audigier, coordenadora do projeto na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), acredita que o prêmio é muito importante por estimular os leitores e alunos de francês e literatura francófona a ler. "É um desafio; o que está em jogo é a formação de uma leitura crítica. Além disso, essa projeção internacional foi muito importante para os alunos de São Luís do Maranhão", conta. "O evento dinamiza bastante o curso. É um projeto que tem uma vida pela frente justamente por dialogar com o contemporâneo, e também a literatura de hoje que se escreve em língua francesa. Acho fundamental a participação dos jovens que gostam de literatura, mas que nem sempre têm acesso em língua original", sublinha Audigier. Esse ano, 12 universidades brasileiras participaram do Goncourt Choix Brésil. "O projeto permite também valorizar o trabalho dos 36 departamentos de língua e literatura francesa das universidades públicas brasileiras, que são parceiros importantes para os serviços de cooperação educativa linguística, mas também para os serviços de cooperação universitária", diz Marion Loire.  Esse ano, o romance do Mohamed Mbougar Sarr foi escolhido pelos estudantes, mas a deliberação demorou bastante porque não houve consenso, apesar de ter uma maioria dos votos, conta Émilie Audigier. "Na minha opinião, trata-se de um grande romance, que realmente dialoga com diversos gêneros literários como a narrativa policial, a questão de ser um livro dentro de um livro, o escritor dentro de um escritor, e tem essa questão da mis-en-abîme", avalia. "É um livro circular, labiríntico, que vai dialogar com vários tipos de personagens e linguagens, trazendo outras referências literárias; também pelo fato de ser um autor do Senegal, com toda essa relação e o olhar crítico sobre a França e o meio literário francês, além de ser extremamente humorístico e poético. É um livro que tem várias formas de ser lido, e por isso, com certeza, ele seduziu os leitores brasileiros", acredita. Uma das juradas dessa edição 2022 do Goncourt Choix Brésil, a estudante maranhense Jeane Souza Santana, de 23 anos, que participa pela primeira vez do evento, achou que 'La plus sécrète mémoire des hommes' "é extraordinário e tem muitos temas dentro da obra, que é dividida em três partes, como se fossem três livros", argumenta. "O que interessou a maioria de nós [estudantes] foi a forma de escrita, extremamente envolvente, fascinante, muito poética, que utiliza de muita metalinguagem, fazendo descrições precisas dos lugares, além de trazer sempre reflxões sobre os lugares e a pessoas. Ele tem uma narração envolvente, e se utiliza dessa narração, que também nos lembra muito o francês oral", avalia a estudante. Jean Santana conta que foi preciso passar por uma seleção para integrar o júri do Choix Brésil Goncourt, com uma prova oral e escrita sobre a literatura, a experiência e intimidade com a literatura francesa clássica e contemporânea. "Sobretudo foi também avaliado o nosso nível de francês. Em seguida, começamos a fazer reuniões mensais, para discutir as quatro obras finalistas", detalha. "A importância desse processo para mim foi enorme, porque o projeto entra para nos trazer essa nova perspectiva da literatura contemporânea francesa, nos oferece mais intimidade com essas literaturas, e fortalece essa multitude de olhares, porque a literatura se constrói o tempo inteiro, se renova, ela é mágica", afirma.
    11/25/2022
    7:36
  • Bruno Capinan divulga “Tara Rara” em Paris, uma “ode ao povo brasileiro”
    O músico baiano Bruno Capinan está em Paris para divulgar seu novo álbum “Tara Rara”. É o sexto álbum do cantor e compositor de 38 anos, radicado no Canadá. O jornal francês Libération descreve o novo disco como um "rugir de delicadas percussões, entrelaçando cordas sutis de violões e cellos, além de uma voz que não revela sua identidade nem levanta o tom". Capinan se apresenta na canção “Ode ao Povo Brasileiro”, primeira faixa de “Tara Rara”: sul-americano, baiano, soteropolitano, filho de Oxalá, preto e gay. Ele também evoca carnaval, Zumbi, Marielle Franco, Elza Soares, Gilberto Gil, Itamar Assumpção, Pixinguinha, Carlos Drummond de Andrade, Tom Jobim, Cruz e Souza, entre outros. “Agora, realizando o que foi fazer o disco, é mesmo uma ode ao povo brasileiro, é aquilo que eu quis manter registrado vivo, como um sentimento de perda”, diz o artista. “A gente está perdendo muito no Brasil, onde a cultura está sendo demonizada – o meu disco é um registro, quase um documentário”, acrescenta. A música faz parte da vida de Capinan por osmose. “A música entrou na minha vida porque eu nasci na Bahia”, brinca, lembrando o ditado que diz que “você não nasce na Bahia, você estreia”. Bruno cresceu em uma família de artistas, acompanhou os carnavais de Carnaval de perto, principalmente os blocos afro. A certeza de que a música iria reger sua vida veio aos 15 anos, mas a primeira composição foi já aos 13, com “Caminhando na Rua”. Influências e escolhas Dessa influência de berço e de rua, embalada também pela Tropicália, João Gilberto, Caetano, Gil e outros, Bruno foi formando o seu universo musical, juntando novas percussões, batidas, marcando o compasso com sua voz de suavidade hipnotizadora. O jornal britânico The Guardian fala de uma “voz acrobática, sensual e ao mesmo tempo, angélica e profana”. Bruno Capinan escolheu Toronto, Canadá, como base, desde 2002. “Fui para ser feliz, viver a minha vida, para ser gay, viver meus amores, o real de mim que eu não conseguia viver no Brasil”, conta. De Paris, o artista adiantou a sua volta para o Canadá, da próxima segunda-feira para sábado agora. Para poder votar no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. Ele se diz aflito diante do atual cenário de violência e de discursos repletos de ódio. Chama de neofascista aquele que ele faz questão de não citar o nome, diz que essa pessoa deveria já ter sido presa ao dedicar seu voto de impeachment da então presidenta Dilma a um torturador - Carlos Brilhante Ustra, chamado de “herói” pelo atual presidente brasileiro.   “Mas tenho a esperança que o Brasil vai conseguir virar essa chave”, diz Bruno Capinan.
    10/28/2022
    7:41
  • Artista brasileira reflete olhar decolonial sobre mantos tupinambás em Paris
    Tupi or not Tupi: a expressão criada por Oswald de Andrade em seu manifesto antropófago, na aurora da Semana de Arte Moderna, canibaliza o delírio hamletiano de Shakespeare - To be or not to be, that's the question. Um século depois, a artista brasileira Lívia Melzi decide virar o espelho na direção dos colonizadores em Paris, apropriando-se da antropofagia dos modernos de 1922 para canibalizar o olhar dos europeus sobre a expropriação colonizatória de objetos rituais como os mantos tupinambás. O percurso antropofágico não é exatamente fácil para curadores, jornalistas e visitantes europeus presentes na abertura da exposição da artista brasileira Lívia Melzi, que integra o prestigioso grupo de artistas programados nesta temporada outono-inverno deste que é o maior centro de arte contemporânea da Europa: o Palais de Tokyo, no 16° distrito de Paris. "Para mim era muito lógico fazer um apelo ao manifesto antropófago.Tem essa questão da vingança presente no Hamlet e também no meu projeto. Mas não se trata da vingança ocidental, como a conhecemos. O título da exposição - Tupi or not Tupi - traz essa primeira camada ligada à referência literária, mas também para trazer a gente mais perto da questão tupinambá", diz Melzi. O trabalho da artista teve início com uma pesquisa que começou em 2018, quando Melzi entrou em contato com as "sete instituições europeias que guardam os oito mantos tupinambás que estão na Europa". "Teve todo um processo de construir um retrato de cada um desses artefatos dentro do contexto de conservação. Depois, houve um segundo momento de contemplar os arquivos, e então, o encontro com a [indígena] Glicéria numa tribo tupinambá. Mas eu não sou uma fotógrafa documental", explica. "Então, existe uma forma plástica de abordar esses temas e personagens", diz. Fotografar o olhar estrangeiro sobre os mantos A "vingança" da artista brasileira Lívia Melzi se dá numa subversão do espelho do colonizador, que agora entra no foco da câmera da artista. A questão não é mais fotografar plasticamente um objeto ritual, mas o olhar do catalogador europeu sobre o objeto. "Foi um processo artístico longo para mim, de entender de onde eu estava olhando. Sou uma mulher branca, estrangeira na França, nós somos latinas, não somos consideradas brancas aqui; precisa entender esse lugar de brasileira 'branca' que mora na Europa e eu precisava decidir através de qual prisma eu queria olhar essa história. E o único prisma possível era o do 'inimigo'. E estamos na França, um país que teve um papel enorme na construção da iconografia brasileira, da construção da nossa identidade", lembra Melzi. "Existe uma dose de humor nessa vingança. Sempre tento colocar um elemento que faz os europeus e franceses darem uma risadinha, mas sinto que há um constrangimento", pontua. "Acho que eles riem um pouco constrangidos dessa violência que eles construíram que aqui na Europa, e na França, é tão difícil para eles de administrar, principalmente com todos os migrantes das colônias africanas, com a questão da restituição desses objetos indígenas", considera.  "Exótico" Lívia Melzi diz levar em consideração a classificação do "exotismo" e do "exótico", rótulos que costumam acompanhar as obras brasileiras na Europa, mesmo no contexto da arte contemporânea. "Penso muito sobre a resposta estética que dou para isso. Tento não reforçar esse lugar do exótico, do colorido. Por causa do meu passado como oceanógrafa, tenho um olhar científico sobre os objetos. A estética visual dos meus trabalhos é muito frontal, fria. Reforço bastante esse aspecto para sair do estereótipo do exotismo, da cor, do excesso de informação visual ou sonora", diz. "Banquete canibal" Em uma das peças de Tupi or not Tupi, a artista brasileira criou uma vídeo-instalação ambientada na Embaixada brasileira de Paris, onde uma mesa é preparada milimetricamente por um chef francês. O prato principal, no entanto, traz um ingrediente, digamos, "exótico" - pés e mãos [reproduções em gesso] do presidente do Palais de Tokyo, centro de arte contemporânea que recebe a artista nesta temporada de artes da capital francesa. "Foi um processo de criação muito curioso para mim e foi um momento de imposição, no bom sentido, enquanto artista. Não foi simples convidar o presidente do maior centro de arte contemporânea europeu para ser o prato principal de um 'banquete canibal', antropofágico", contemporiza. "Ele entendeu bem o convite, a questão desse lugar de poder que ele tem", diz.
    10/21/2022
    7:27
  • Exposição na França mostra as primeiras fotografias a cores do Rio de Janeiro
    Um arquivo inédito com imagens impressionantes daquelas que são, provavelmente, as primeiras fotografias a cores do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, em pleno século 19. O tesouro, presente na exposição "Rio em cores e em relevo", em cartaz no Museu do Novo Mundo, em La Rochelle, no oeste da França, saiu direto da coleção do mecenas Albert Kahn e teve curadoria do historiador francês Laurent Vidal, estabelecendo um diálogo histórico com a iconografia e a coleção do museu francês. Em novembro de 1555, o navegador francês Nicolas Durand de Villegagnon inicia uma colônia francesa na entrada da então Baía de Guanabara, construindo o forte de Coligny. Mas por causa das infindáveis disputas entre católicos e protestantes (huguenotes) sobre a natureza da Eucaristia, a tentativa francesa - conhecida como a França Antártica - acabará em meio a conflitos internos, em 1559, e será destruída pelos novos e definitivos colonizadores: os portugueses. Histórias como essa que ligam a França às Américas fazem parte do Museu do Novo Mundo de La Rochelle, no oeste da França. "Essa exposição nasceu de uma ideia do historiador Laurent Vidal de trabalhar, ao mesmo tempo, a fotografia antiga francesa do Brasil, fazendo uma conexão com a coleção de fotos do Museu do Novo Mundo. Considerei essa proposta bastante pertinente, e então buscamos imagens que pudessem servir de suporte para uma exposição do tipo", explica Mélanie Moreau, curadora da mostra e diretora de museus de Arte e de História da cidade de La Rochelle. Conexões "O arquivo do museu Albert Khan nos inspirou, desejando simultaneamente falar sobre a história da fotografia, além de mostrar as primeiras imagens coloridas do Rio e o passado desta cidade que ainda nos inspira, apesar de ter se transformado. Além da possibilidade de criar conexões com as temáticas do Museu do Novo Mundo", diz Moreau. "Na verdade, a ideia não é resgatar essa história, mas apresentá-la. O museu é voltado para as Américas do Norte e do Sul, e existe uma vontade verdadeira de explicar os períodos-chave que marcaram essa história, sejam as primeiras explorações francesas, ou o tráfico negreiro; e, no que diz respeito à América do Sul, o Brasil é um eixo muito importante", diz a curadora francesa.  "Existe essa ideia de explicar que existiu uma tentativa de colonização francesa no Brasil do século 16, uma tentativa que não deu certo, e também o fato do país ter conhecido o tráfico negreiro relativamente tarde, sendo o Brasil um dos últimos países a abolir a escravidão, em 1888. Uma história que nos interessa, porque tem a ver com as temáticas abordadas pelo museu", aponta Moreau. Olhar fotográfico da França sobre o Brasil Para o historiador Laurent Vidal, "esse olhar tem uma verdadeira relação entre a França e a fotografia no Brasil". "O primeiro aparelho fotográfico que chegou ao Rio foi um daguerreótipo francês, em 1840. Em janeiro daquele ano um abade francês fez uma das primeiras fotos do Brasil, neste aparelho que havia sido inventado em 1839", lembra. "A palavra 'fotografia' foi inventada por um francês residente no Brasil, na época na província de São Paulo. E essas fotografias que atualmente apresentamos aqui são as primeiras em cores do Rio de Janeiro", destaca Vidal. "E, entre esses fotógrafos, há muitos franceses ou descendentes de franceses, como Marc Ferrez, que realmente participaram da criação de um olhar francês sobre o Brasil", afirma o historiador. Laurent Vidal destaca alguns momentos marcantes da exposição, "como as fotos em cores que mostram a exuberância da paisagem carioca e como a cidade nasce, a metrópole nascendo em torno desta paisagem". "Em segundo lugar, o acervo mostra o nascimento da metrópole moderna, com suas avenidas, os funcionários etc. E o terceiro ponto, que para mim é talvez o mais importante, são as imagens que mostram justamente aquilo que está desaparecendo, como o universo dos pequenos trabalhadores, o que remete a uma velha história, bem mais antiga, quase colonial. E também as fotos mostram a população preta na cidade. Uma população que, apesar de ser livre, é uma população marginalizada, é um olhar sutil sobre essa população", afirma. Uma iconografia carioca Além disso, o especialista destaca a importância da coleção para a "iconografia carioca". "Essas quase 200 fotografias eram desconhecidas, então é a primeira vez que são apresentadas ao público e é verdadeiramente um conjunto da obra. Forma uma fotografia sobre um Rio [de Janeiro] nascendo, em termos de metrópole moderna, e um Rio que desaparece. E o momento em que se passa de um lado para o outro é fascinante, verdadeiramente fascinante de ver. Eu acho que é um elemento importante na construção da memória carioca", sublinha. Para a secretária de Patrimônio e Museus da prefeitura de La Rochelle, Anna-Maria Spano, "essa história da escravidão aproxima a cidade de La Rochelle ao Rio e ao Brasil, assim como o fato de serem cidades de vocação marítima". "Sou historiadora da cidade, e é muito interessante descobrir lugares que existiam antes e que desapareceram, descobrir o que ocupa atualmente seu lugar. Além disso, reconhecer essa história de transformação social das cidades", aponta. Spano lembra ainda que as semelhanças entre as duas cidades não param por aí: "La Rochelle é também uma cidade de frente para o mar, no meio do Golfo da Gasconha. Sua história começa com o comércio marítimo no século 12, e é uma tradição que continua até os dias de hoje nesta grande marina [de veleiros], uma dos maiores da Europa. É também uma cidade de navegadores, de campeões que deram a volta ao mundo", lembra. A exposição "Rio em cores e em relevo" fica em cartaz no Museu do Novo Mundo de La Rochelle até o dia 3 de abril de 2023.
    10/14/2022
    7:19
  • Legendária banda Azymuth comemora 50 anos de carreira com shows na Europa
    Em cinco décadas de estrada, os brasileiros do Azymuth conquistaram o seu espaço entre as bandas cult na França e em muitos países. O cartão de visitas do trio é um jazz-funk com pitadas de samba, que atrai admiradores no mundo todo. A RFI Brasil conversou com eles em Biarritz, onde o grupo foi um dos convidados do Festival de Cinema Latino-Americano, encerrado no domingo (2). Maria Paula Carvalho, enviada especial à Biarritz Longe de descansar sobre os louros, os integrantes do Azymuth continuam a inovar e a fazer shows, como conta o baterista Ivan Conti, mais conhecido como “Mamão”, único integrante da formação original presente nessa turnê europeia. “Tocar é muito bom, ainda mais aqui. A gente viaja, as pessoas nos recebem muito bem e a gente troca emoção com o público. Isso é fabuloso”, diz o carioca, de 76 anos, que nem pensa em aposentadoria. “A gente tem bastante fãs, eu acho que aqui no exterior um pouco mais do que no Brasil. Mas temos bastante público”, disse, poucos minutos antes de subir ao palco da Gare du Midi, antiga estação de trens de Biarritz, balneário no sudoeste da França. “Eu diria que eles estão mais jovens: Mamão, Alex Malheiros (76 anos), meus parceiros”, reforça o tecladista mineiro Kiko Continentino, que entrou no grupo após a morte de um dos fundadores, José Roberto Bertrami, em 2012. “A energia é cada vez maior. E cada vez mais alta. Uma densidade. Porque para tocar jazz, temos que estar juntos e emanar aquilo”, disse à reportagem da RFI Brasil durante o ensaio para o show que a banda faria como um dos destaques musicais da programação do Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz. Este ano, o evento homenageou o Brasil. “E agora, temos esse cara maravilhoso, salvando a gente, um paulistano”, completa, ao apresentar o baixista Moyses dos Santos, que assumiu o lugar de Malheiros em certas apresentações. “É um sonho, porque eu cresci ouvindo eles. É como tocar com os seus heróis”, compara Moyses, que atualmente vive em Londres.   Assim como ele, muitos músicos da nova geração cresceram ouvindo Azymuth. Em uma carreira tão longeva, o grupo tem mais de 30 álbuns gravados e já tocou em diversos países. Em 1976, foi a primeira banda brasileira a se apresentar no tradicional Festival de Jazz de Montreux, na Suíça. “Foi sensacional, um evento maravilhoso porque acabamos de tocar e nos convidaram para ficar mais uma semana”, lembra Ivan Conti. O início de tudo Boa parte do repertório do Azymuth foi composta nos intervalos de gravações para outros artistas, já que os três músicos de estúdio acompanhavam grandes estrelas da MPB. “Chico Buarque, Milton Nascimento, Elis Regina, Clara Nunes, Raul Seixas, Rita Lee”, cita Ivan Conti, ao relembrar a lista de nomes com os quais já trabalhou. “O interessante é que o primeiro Azymuth que nós fizemos já foi praticamente autoral. Começamos a fazer no estúdio, nos intervalos que a gente tinha, porque tocávamos com todos esses artistas”, diz.   Formado no início dos anos 1970, o Azymuth “se beneficiou da onda do jazz-funk internacional ao mixar esses gêneros ao soul, samba e bossa nova”, contextualiza Hugo Casalinho, programador musical da Rádio França Internacional (RFI), que conheceu o grupo ainda nos anos 1990, época em que a banda foi redescoberta por DJs internacionais. “Era o grupo brasileiro preferido dos americanos”, observa Casalinho, comparando o talento dos brasileiros a nomes como Herbie Hancock, um dos mestres do jazz nos Estados Unidos. Foi nas ondas das “rádios livres”, um sinônimo de rádio pirata na França dos anos 1970, quando estações clandestinas funcionavam para exigir liberdade de expressão e o fim dos monopólios estatais na transmissão de rádio e televisão, que o DJ Domissoul conheceu o som do Azymuth. “Eles tinham essa aura de qualidade, essa beleza única de discos muito bem produzidos, como os grandes jazzistas americanos”, compara o colecionador e programador francês, que diz já ter esquentado muitas pistas de dança em Paris com Azymuth. Remixes Foi só em 1994, com a explosão do acid jazz de bandas que cultuavam o som do Azymuth, como Jamiroquai e Incognito, que a gravadora inglesa Far Out Recordings, do empresário e produtor Joe Davis, especializada em música brasileira, ofereceu um contrato para o Azymuth gravar novamente. Assim, a partir de 1996, começaram a sair discos que se tornaram clássicos, como "Carnival". Ainda hoje, o Azymuth exerce uma influência decisiva na dance music. Uma das principais razões desse novo interesse pelo grupo se deve aos remixes de suas canções por importantes DJs da cena eletrônica europeia. “Os DJs são fantásticos, pois empurraram o barco de muita gente”, observa Ivan Conti. “A primeira vez que fizeram uma mix da gente foi nos anos 1990, logo no começo, feito pelo Rony Size. Quando a gente tocava com outros artistas, você não tem a ficha técnica, mas eles sabem quem está tocando, são pesquisadores”, completa o baterista do Azymuth. O LP original do hit "Jazz-Carnival" é muito procurado por colecionadores de discos, como o francês Laurent Signoret. “Eu tenho cerca de 80% dos discos deles. Me faltam só um ou dois, os mais raros e difíceis de encontrar”, diz em entrevista à RFI Brasil. “Eu conheci o Azymuth ouvindo a rádio BBC de Londres, em programas de DJs como Gilles Peterson e logo gostei, porque adoro jazz, soul, funk e música brasileira, e eles misturam tudo isso”, define.     "Como músicos de jazz, eles podem tocar praticamente tudo, eles têm o feeling. E o interessante é que eles levam toda essa técnica para um estilo muito pessoal”, observa Signoret. “É bem instrumental, mental, que faz viajar e que te dá vontade de dançar. Evoca o Brasil, a paisagem, o calor, e é isso que faz a gente sonhar na música deles”, completa. “Eles continuam na moda porque não seguem moda. Eles têm um estilo próprio, por isso são tão populares”, finaliza. Renovação de plateias Além da originalidade, o carinho do público e a qualidade do trabalho foram importantes para o Azymuth continuar a ser uma referência ininterrupta na cena jazz no Brasil e no resto do mundo, 50 anos após a sua estreia. “O que mostra que a qualidade é permanente, perene. Pode passar um tempo, mas ela é redescoberta”, observa o tecladista e compositor Kiko Continentino. “Os DJs foram importantes nessa cena e o público também. Um público cada vez mais jovem e isso é uma coisa linda. Outra coisa que mudou é que tem havido mais brasileiros nos shows, isso eu tenho observado de dois anos para cá”, diz o músico que trabalha incansavelmente para manter vivo o espírito do Azymuth. Além da França, a turnê europeia passou pelo Reino Unido, Alemanha e Suécia, numa prova de que o Azymuth não mostra absolutamente nenhum sinal de desaceleração e olha para o futuro.
    10/7/2022
    5:43

Ähnliche Sender

Über CULTURA

Sender-Website

Hören Sie CULTURA, 1LIVE und viele andere Radiosender aus aller Welt mit der radio.de-App

CULTURA

CULTURA

Jetzt kostenlos herunterladen und einfach Radio & Podcasts hören.

Google Play StoreApp Store

CULTURA: Zugehörige Sender