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  • Leitura de conto sobre o Saci-Pererê na Suíça incita crianças a valorizar os negros e a floresta
    A Suíça conheceu um dos personagens mais populares do folclore brasileiro: o Saci-Pererê. Ele desembarcou no país em grande estilo, em um evento realizado no Museu de Etnografia de Genebra, o MEG.  Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça As crianças tiveram a oportunidade de descobrir um pouco da história desse personagem que adora fazer travessuras e pregar peças. Eu escrevi um conto sobre ele, chamado “O superpoder do Saci”, que valoriza a cultura brasileira e as nossas influências. A ideia foi mostrar esse super-herói que resiste ao tempo e representa um pouco o próprio Brasil, falando também de amizade e de respostas coletivas para a solução dos nossos problemas. A história foi apresentada em francês pela professora brasileira Dulcimara Aparecida da Silva. Depois da leitura do conto, as crianças participaram de um ateliê comandado por Adriana Batalha, mediadora cultural no MEG.  A RFI conversou com Dulcimara, que contou o que significou para ela estar ali, num museu de Genebra, apresentando uma história sobre um personagem brasileiro.   “Falar do Saci é trazer um pouco do nosso folclore para uma sociedade que não conhece nada. Poder apresentar a nossa cultura, o nosso Saci-Pererê é um orgulho para mim. Interpretar, falar para as pessoas que não falam português, que não são brasileiras, que nunca ouviram falar do Saci, é muito gratificante”, explicou. Na opinião da professora, “é assim que a gente passa a cultura, com um pouquinho de cada vez, nas pequenas relações, nos pequenos causos que a gente conta”. A reação das crianças, segundo ela, foi melhor do que esperava. “As crianças não gostaram da história, elas amaram”, disse Dulcimara. E por quê? “Porque o Saci é um personagem fantástico, de superpoderes. Eu acho que elas se veem um pouco também no Saci, porque ele adora rir, fazer brincadeiras. Todas as vezes que tinha uma brincadeira no conto, elas achavam o máximo, se identificavam em algumas situações com aquilo que fazia o Saci.” O Saci na visão das crianças  Filha de mãe brasileira e pai franco-suíço, Eva Manon Barbey, de 7 anos, falou sobre o que aprendeu a respeito do personagem.  “Eu vim escutar a história do Saci-Pererê e fiz uma caixa da natureza. Ele gosta da natureza, ele protege, faz 'farsas' (brincadeiras). Eu já conhecia o Saci, aprendi no curso de português”, explicou a menina.  Valentina Stadelmann, de 14 anos, que fala português e francês, era uma das adolescentes que foram ao museu naquele dia e conversou com a RFI sobre a experiência. “Eu achei legal porque a gente está falando do Saci, que é uma história brasileira, na Suíça. É muito interessante. O Saci é engraçado, faz brincadeiras com os animais e com as pessoas da floresta”, disse.  As irmãs Olivia, de 6 anos, e Vitória Arai, de 3, que moram em Pully, foram ao evento com os pais Aldo Arai e Aline Carvalho. Toda sorridente, Vitória disse à RFI que tinha gostado do Saci, porque ele “fazia brincadeiras com os animais”. Já a irmã contou que tinha ido ao museu “passear” e conhecer um pouco mais sobre esse personagem.  Há 15 anos em Genebra, a brasileira Ririnan da Silva Alcântara, de 51, levou a neta Beatriz, de 9, para conhecer mais sobre o seu país. “Foi super legal, muito interessante. As crianças que aqui nasceram precisam aprender um pouco da cultura dos seus pais.”  Por que o Saci foi parar num museu da Suíça  Mediadora cultural do museu, a brasileira Adriana Batalha, que comandou o ateliê com as crianças, disse que a ideia do projeto do Saci nasceu a partir de uma foto do Saci exibida na nova exposição de Dom Smaz e da jornalista Milena Machado Neves – "Helvécia, uma história colonial esquecida". "Achei que era uma oportunidade de apresentar a cultura brasileira para a comunidade, dando a oportunidade de as crianças conhecerem o Saci e também de verem a exposição”, conta Adriana. Segundo ela, “a contação de história foi fantástica, porque nós tivemos uma contadora brasileira, da Associação Raízes, que soube trazer a alma e o gosto do Saci para as crianças e para os adultos”. “Nós também fizemos uma caixa de madeira que representa o Saci como defensor dos animais, da floresta, um ser que gosta de fazer rir, de fazer brincadeiras. E, nessa brincadeira, o Saci traz uma magia única, que é dele, com as ervas medicinais e o rir, a alegria. Eu acho que as crianças adoraram’, afirmou a mediadora do MEG.  O que o Saci representa  Para Adriana, o saci “representa um sincretismo de três culturas: a europeia, com a chegada no Brasil dos portugueses; a indígena – o Saci é um termo Yaci-Yaterê, da cultura tupi-guarani, que significa “ser mágico”; e a africana iorubá, que é Ossaim, também o guardião da floresta”. Mas há também um outro aspecto, segundo ela, bem atual. "Por que o Saci tem só uma perna? Quantos negros não foram mutilados? Quantos negros, mesmo mutilados, tiveram coragem de fugir e de encontrar, de buscar a liberdade?", questiona a mediadora. Para Adriana, "o Saci pode e merece ser um 'star', porque a raça negra, apesar de todo o sofrimento que teve, de todas as injustiças que ela ainda vive hoje, encontrou uma maneira de rir e de ser livre", explica. "Eu acho que o Saci é muito mais do que aquilo que a gente imagina ser”, completa.  O que foi realizado naquele dia no museu, de acordo com a mediadora cultural, “é uma porta de entrada para se ter menos racismo na sociedade".
    11/20/2022
    7:04
  • Para bióloga italiana, custo de preservação da Amazônia não deve recair apenas sobre o Brasil
    A bióloga italiana Emanuela Evangelista trabalha no Brasil desde o ano 2000. Ela vive há mais de 10 anos na comunidade de Xixuaú, na divisa entre os estados de Amazonas e Roraima. Como presidente da organização italiana Amazônia Onlus, ela está na linha de frente da defesa ambiental e ajudou a criar a Reserva Extrativista Baixo Rio Branco Jauaperi. Nesta imensa área, a floresta e os habitantes estão protegidos. Gina Marques, correspondente da RFI em Roma A reportagem da RFI conversou com Emanuela Evangelista no Parque da Caffarella, em Roma. “Nossa organização se dedica à Amazônia brasileira com o intuito de preservar o [meio] ambiente e lutar por esse grande desafio de manter a floresta em pé. A gente faz isso trabalhando em regiões remotas distantes do desmatamento, longe de degradação, em áreas que são ainda de floresta primária intacta e que são habitadas por populações tradicionais. Nosso trabalho é de aliança, de união com as populações tradicionais”, diz ela. Ela explica que seu trabalho consiste em ampliar, junto com os habitantes, alternativas de renda. “Nosso objetivo é o desenvolvimento sustentável para que as pessoas possam manter esse precioso tesouro que elas têm, a floresta Amazônica, sua biodiversidade, sua cultura e também suas tradições.” Na avaliação de Evangelista, é preciso ter vontade política e econômica de preservar a Amazônia. A responsabilidade, na opinião da italiana, não deve ser só do Brasil, mas sim "do mundo". “Acreditamos que a falta de recursos econômicos esteja ligada à vontade política. Os órgãos institucionais foram, de alguma forma, enfraquecidos nos últimos anos, e não houve grande disponibilidade econômica para a Amazônia”, estima a pesquisadora. Ela ressalta que zerar o desmatamento é um desafio complexo, principalmente neste momento em que a taxa de destruição da floresta está muito elevada. Segundo Evangelista, o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva poderá inserir a proteção da Amazônia entre as prioridades. “Lula pode ter a vantagem de reabrir o diálogo com os países desenvolvidos para atrair ajuda internacional, que eu acredito ser fundamental por dois motivos: em primeiro lugar, porque a Amazônia é um bioma que fornece benefícios ao mundo inteiro. Em segundo lugar, porque boa parte do mundo, inclusive os países industrializados, são responsáveis e participam de alguma forma do desmatamento, da destruição, do que estamos fazendo à Amazônia”. Ela salienta que é necessário reconhecer a responsabilidade europeia e dos países desenvolvidos, e participar de forma ativa da proteção da Amazônia. “Não é possível continuar dizendo que é um bioma que oferece benefícios ao mundo inteiro, e deixar que caia nos ombros e no bolso do Brasil, exclusivamente, o custo da preservação e de proteção da floresta", argumenta. Difíceis condições de vida Mesmo com riquezas naturais inestimáveis, as condições de vida dos ribeirinhos e povos indígenas da Amazônia são difíceis. Muitas vezes faltam estruturas básicas necessárias, como escolas e hospitais. De acordo com a bióloga, “mais da metade das pessoas residentes na Amazônia vive abaixo da linha da pobreza. Ela constata que há uma necessidade de desenvolvimento econômico importante na região. "Os povos tradicionais vivem isolados das regiões onde existe trabalho e pagam o preço por esse isolamento", observa. "Por um lado é bom, porque se preservam os recursos naturais; mas, por outro lado, torna tudo muito complicado”, destaca a italiana. Ela cita o exemplo de um quebrador de castanha, que deve vender seu produto nos mercados que ficam distantes do local de colheita. “Além disso, se você quer que seus filhos estudem e continuem após o quinto ano, que é o que normalmente você encontra nessas comunidades remotas, é preciso se deslocar ou mandar seus filhos para a cidade", explica. As necessidades sanitárias também são importantes, assim como as de educação e geração de renda. "O isolamento dificulta a vida de alguma forma", afirma Emanuela Evangelista. Amor à primeira vista A italiana fez a sua primeira viagem ao Brasil no ano 2000 para trabalhar como pesquisadora em um projeto do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com sede em Manaus. Como bióloga, ela é especialista em mamíferos aquáticos. Segundo Evangelista, a Amazônia foi "paixão à primeira vista". “Vim ao Brasil para estudar uma espécie de mamífero que é chamada Lontra Gigante, que em português a gente chama de Ariranha. Aí foi amor à primeira vista, né? Eu me apaixonei pela biodiversidade da floresta, pela magia das águas. Essas regiões remotas da Amazônia são únicas. É muito difícil para quem não nasceu no Brasil imaginar tanta beleza.” Sabedoria dos povos nativos A bióloga alerta que muitos pesquisadores internacionais não reconhecem a importância da sabedoria dos povos nativos. Segundo ela, a destruição da floresta poderá acarretar a perda de conhecimentos ancestrais das populações locais.   “O conhecimento dos povos nativos não recebe o justo valor nos países industrializados. Muitas vezes um cientista anuncia ao mundo a descoberta de uma nova espécie, e um ribeirinho diz que ela já era conhecida havia muito tempo”, ressalta. Reserva Extrativista Baixo Rio Branco Jauaperi Por iniciativa da Amazônia Onlus e de outras organizações da sociedade civil, a Reserva Extrativista Baixo Rio Branco Jauaperi foi criada em junho de 2018. O território fica na divisa entre os estados de Roraima e Amazonas. São quase 600 mil hectares de floresta, 14 comunidades e 1.500 moradores protegidos para sempre. Mas a luta pelo reconhecimento oficial como área de preservação durou quase duas décadas. Em 2009, o Ministério do Meio Ambiente emitiu uma avaliação favorável à criação da área para proteger as comunidades da região “de uma série de ações criminosas” feitas por invasores “que buscam a região para a prática de pesca e caça predatórias e grilagem de terras públicas”. De acordo com o texto, a reserva, localizada nos municípios de Rorainópolis (RR) e de Novo Airão (AM), vai “proteger os meios de vida e garantir a conservação e a utilização sustentável dos recursos naturais renováveis utilizados pelas comunidades tradicionais”. O espaço natural foi então dividido em três áreas. A primeira delas constitui uma zona de preservação, na qual não é permitida a ocupação nem a utilização direta ou indireta dos recursos naturais ali presentes. Uma segunda zona de uso restrito serve de moradia para as comunidades tradicionais e a tribo indígena Waimiri-Atroari, que podem utilizar a área. A terceira parte da reserva é voltada para atividades de recreação e turismo. A ocupação e o uso direto de recursos naturais, nesses casos, são definidas em um plano de manejo. O Instituto Chico Mendes administra toda a reserva e é responsável por sua proteção. A ONG Amazônia Onlus trabalha há mais de 20 anos na região do Jauaperi. "A organização contribuiu e participou de uma luta muito importante que foi, em primeiro lugar, a luta do povo residente da região, da população ribeirinha que mora nessa região, porque a demanda partiu deles”, destaca a bióloga italiana. “Conseguimos realizar o sonho da população, que era de criar uma área protegida de forma legal e robusta", acrescenta Evangelista. Segundo ela, a Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco Jauaperi permite às populações tradicionais de continuar a viver na região e usar todos os recursos locais de forma sustentável. "É uma fórmula muito interessante, porque protege ao mesmo tempo a floresta, a cultura e as tradições das populações residentes”, explica. Emanuela Evangelista recebeu vários prêmios internacionais pela defesa da Amazônia. Em 2020, ela foi condecorada pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, com a medalha de Oficial da Ordem do Mérito da República Italiana.
    11/19/2022
    7:58
  • Em Portugal, jovem artista brasileira faz sua primeira exposição individual
    “Entre 4 paredes” é o título da primeira exposição individual de Antonia Figueiredo, que há três anos trocou a cidade de São Paulo por Lisboa. A mostra, que reúne 13 pinturas, fica em cartaz no Espaço Talante, na Lx Factory, em Lisboa, até a próxima quarta-feira (16).  Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal     Nas 13 telas da exposição “Entre 4 paredes”, Antonia Figueiredo faz uma reflexão “do meu interior, de como eu vejo o mundo”, revela a artista de apenas 25 anos. Ela explica que quando decidiu pintar, experimentou uma sensação de liberdade e de mais conforto no processo de criação.  “Eu me dei a oportunidade de pintar o que eu conheço, o que já é meu: os meus vasos, o meu quadro, o meu cachorro, a minha casa, as minhas quatro paredes”, diz a artista. Por meio da exposição, ela convida o visitante a entrar na sua casa, sem se importar com julgamentos, com o que o observador vai achar, “e eu não quero convidar você para minha casa e ficar pensando que você vai achar que a minha casa é ruim ou feia ou não é da sua estética”, completa. “Eu queria tirar esse tabú, essa questão da minha frente”, diz com firmeza.  Pintar sem criar expectativas  Antonia mudou-se para Portugal em 2019. No ano seguinte, decidiu viver na Estônia, onde ficou apenas um ano. Foi quando começou a se dedicar à pintura. “Eu me encontrei no meu apartamento vazio [mas] cheio de tela e tinta que eu nunca pintei. Então, eu peguei todas aquelas tintas e comecei a pintar”. Pintar sem criar expectativas, salienta: “E eu acho que era esse o meu grande problema: eu tinha muita expectativa na hora de criar arte, pintura. Eu [pensava que] tinha de ser artista, eu tinha de ter uma mensagem. E eu entendi que o criar é a minha mensagem, o ato de [criar] pode ser suficiente”, observa. Existencialismo Antonia Figueiredo logo vendeu as três primeiras telas que produziu. Enquanto pintava a quarta, concluía que nunca havia se sentido tão livre num processo. “Por que que é isso?”, questionou-se à época. “A resposta a que eu cheguei é exatamente essa falta de expectativa. Eu não tenho mais uma expectativa se é bom ou se é ruim. O importante para mim foi criar, colocar para o mundo”. A jovem artista assume que o existencialismo do filósofo francês Jean-Paul Sartre lhe ajudou “a determinar o que que era meu, quem sou, quem que eu estou mostrando para o outro. A questão do Sartre mais me ajudou a me posicionar no meu relacionamento com a minha arte”, explica.   Arte digital Antes da pintura, Antonia Figueiredo já produzia arte no campo digital, trabalhando para revistas como Cosmopolitan, Marie Claire e Glamour. Também criou para campanhas de moda de marcas como a Bulgari e a La Mer. Tem um forte trabalho no Instagram, onde posta as composições artísticas que produz a partir de fotografias.  “O meu trabalho é uma ilustração em cima de foto. Então, eu pego uma foto de uma artista que eu admiro, qualquer um – de Frida Kahlo a Drew Barrymore ou a um cantor ou a um diretor ou a de um estilista, jornalista, e eu ilustro em cima disso. Eu pinto essas fotos e posto”.  A arte digital de Antonia já chamou a atenção de celebridades internacionais, como Drew Barrymore e a Brooke Shields. As composições que a brasileira fez utilizando as fotografias de ambas foram tão compartilhadas na rede social, que chegaram até às atrizes  “Elas gostaram e me chamaram para trabalhar, e tudo pelo Instagram”, conta Antonia.  “O meu trabalho com a Brook Shields foi para a marca que ela tem de bem-estar, e com a Drew Barrymore eu fiz grandes trabalhos, eu fiz editorais para a revista dela, campanha de coleção dos óculos, de cabelo, maquiagem, tudo isso”. O talento da jovem artista brasileira também estampa a capa do álbum “Alice 10 anos ao vivo”, no qual a cantora Alice Caymmi celebra uma década de carreira. “Ficou um trabalho que eu me orgulho muito. Acho que está super bonito”. Para Antonia Figueiredo, a arte digital e a pintura se complementam. Ela garante que vai continuar firme nos dois campos, e sobre o que virá pela frente entre telas, tinta e pincéis, ela avisa: “Esse é só o começo, essa é minha primeira [exposição], e a intenção é, realmente, seguir nessa e abrir as ‘quatro paredes’ para o mundo”, pontua.
    11/12/2022
    4:57
  • Exposição reúne relatos de vida de migrantes para promover tolerância em Portugal
    O projeto Diários de Migrantes surgiu como um acervo do Arquivo dos Diários, uma associação sem fins lucrativos com sede em Lisboa, que preserva registros de vida de gente comum. Agora, a associação organiza uma exposição com fragmentos dessas histórias para dar um novo olhar à questão da migração. A exposição itinerante “Próxima estação” está até o dia 20 na capital portuguesa. Fábia Belém, correspondente da RFI em Portugal. O projeto Diários de Migrantes recolheu 41 memórias de pessoas originárias de 19 países, como Brasil, Venezuela, Cuba, Moçambique, Paquistão, Alemanha e Reino Unido. Segundo conta a fundadora do Arquivo dos Diários, a italiana Clara Barbacini, a ideia era partilhar a memória de migrantes que tivessem em comum a vida em Lisboa. “Achamos que, em primeiro lugar, é muito importante recolher essas memórias que muitas vezes não são ouvidas pelas pessoas. E depois, geralmente, é uma forma de aproximar as pessoas a essas temáticas”, explica Barbacini, que também é uma das coordenadoras do projeto. As histórias foram contadas em diferentes linguagens: áudio, vídeo, música, desenhos, fotografias, textos. Filomena Farinha, mais conhecida por Filó, conta que colocou no papel as memórias que carregou a vida toda. “O início da guerra civil de Angola, a vinda pra Portugal, pra aldeia onde o meu pai nasceu, e depois a nossa ida para o Brasil. E eu quis expressar o que passava na minha cabeça, o que eu pensava na altura de todos aqueles acontecimentos.” O poder terapêutico dos diários Formada em turismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Filó tinha 10 anos quando se mudou para o Brasil levando consigo as lembranças da guerra em Angola, país onde nasceu. Em 1999, aos 33 anos, ela voltou para Portugal, onde vive até hoje. “Eu acho que quando a gente fala, quando a gente escreve, quando a gente expõe, no fundo, no fundo, a gente está a se curar um pouco". Escrever a própria história também foi um bom remédio para o brasileiro Willy dos Santos Silva, 32 anos. Ele começou a escrever o diário numa fase complicada da vida. “O diário funcionou pra mim como uma terapia. E me ajudou a pensar assim ‘Poxa, tudo o que eu passei até agora e aonde eu cheguei, tudo o que eu conquistei, e valeu a pena’.” Willy foi um dos cinco brasileiros que contaram suas histórias nos Diários de Migrantes. Dedicou parte do diário à “inquietação”, ao gosto por viajar e conhecer outras culturas. “Como eu digo bastante no meu diário, eu nunca tive um sentimento do que era a casa quando eu tava lá [no Brasil]. Não que eu desgoste do país, longe disso. Eu gosto, gosto muito, mas eu nunca senti que ali era o lugar que eu queria estar pra sempre.”, revela. “Nós queremos fazer parte” Natural de Araçatuba, cidade do interior de São Paulo, Willy se formou em Publicidade e Propaganda e também em Design Visual. Em Portugal, onde vive há quatro anos, ele trabalha dando apoio a clientes numa loja online. Ele considera que o projeto consegue humanizar o migrante, muitas vezes “visto como uma ameaça. É aquela pessoa que vai vir aqui, vai roubar meu emprego... quer acabar com os meus costumes, mas não. A gente tá aqui pra agregar, pra somar. Nós não queremos tomar a sociedade deles, nós queremos fazer parte”, ressalta. Clara Barbacini explica que o projeto também foi pensado para ajudar na integração dos migrantes na sociedade portuguesa. Na opinião dela, as histórias dos percursos migratórias presentes nos diários podem contribuir para que se estabeleça “um diálogo” entre nacionais do país e migrantes. O projeto pode ajudar a promover “mais tolerância também”, acredita. Ajuda para acessar as memórias Para construir os diários, as pessoas contaram com o apoio de treze mediadores, a maioria formada por migrantes, que tiveram um papel importante ao longo do processo. A brasileira Lídia Mello, programadora, curadora e crítica de cinema acompanhou seis participantes. A tarefa consistia em “ter uma escuta atenta às histórias de vida, às narrativas de vida dos imigrantes”, e não só. “O papel do mediador também funciona como aquele que ajuda a pessoa que está sendo escutada a evocar as suas próprias memórias e reconstruir a sua história.”, sublinha Mello. A psicóloga brasileira Marzie Damim também fez parte da equipe de mediadores. Ela acompanhou Filó, Willy e mais um migrante. “Eu achava que eu tinha de estar ali e ouvir e acompanhar tudo o que estava acontecendo naquele momento, e aceitar tudo, não predeterminar nada. Basicamente, era poder oferecer um espaço de conforto, acolhimento e de escuta”, conta. Mais diários e um livro Para o próximo ano, o projeto prevê a publicação de um livro com trechos de alguns dos diários. Também há planos de recolher memórias de migrantes que moram e trabalham em outras regiões de Portugal - nos campos do Alentejo e no setor do turismo do Algarve, por exemplo. “Há muito material que gostaríamos de recolher. Por isso, a ideia é depois tentar [fazer com] que o projeto cresça também no futuro”, adianta Clara Barbacini. O projeto Diários de Migrantes é financiado pelo Fundo Social Europeu e pela Câmara Municipal de Lisboa, em colaboração com a Rede DLBC Lisboa - Associação para o Desenvolvimento Local de Base Comunitária de Lisboa.
    11/6/2022
    5:00
  • Produtores brasileiros de filmes se unem para se aproximar de Hollywood
    Uma delegação com representantes de 18 produtoras brasileiras do setor do audiovisual está em Los Angeles visitando e se reunindo com grandes nomes do cinema de Hollywood. A missão participa do AFM (American Film Market), um dos eventos mais importantes do mundo do setor do audiovisual destinado à aquisição, desenvolvimento e networking de filmes, que teve início na última terça-feira (1) e termina neste domingo (6).  Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles A missão brasileira foi organizada pela Brazilian Content, programa que desde 2004 promove internacionalmente o conteúdo audiovisual brasileiro. Mais de US$ 1 bilhão em acordos são fechados todos os anos durante o evento. Paulo Barcellos, CEO da O2, uma das maiores produtoras brasileiras, que já assinou filmes como "Cidade de Deus" (2002), "Marighella"(2019) e "Ensaio Sobre a Cegueira" (coprodutora, 2008) destaca a importância de aprender com as experiências de quem domina o setor, mas sempre relevando as diferenças culturais. "A gente veio entender um pouco melhor como funciona o mercado americano. Muitos problemas que temos hoje, eles já resolveram há alguns anos. Entender a relação com as produções, como se organizam, quais são essas funções que eles têm aqui de pontes, agregadores, agentes, negociadores", disse. "Visitamos um monte de estúdios, existem diferenças culturais até na forma de filmar, como organizam os estúdios, os trailers que não são comuns no Brasil de ter na rua, como tem aqui. Até a maneira de não usar uma locação e preferir fazer no estúdio por custo. No Brasil é mais barato de um jeito, aqui é mais barato de outro". Gustavo Gontijo, executivo de desenvolvimento da produtora, destaca que um dos objetivos da viagem é trazer o Brasil para Hollywood. "A gente tem talentos e projetos de uma qualidade que nem alguns gringos têm. Temos muita coisa que podemos trazer para cá e levar de volta, teremos tempos incríveis à frente". A missão  Essa é uma missão inovadora por ser um esforço coletivo: as maiores empresas do setor se reuniram para juntas abrirem portas para promover o Brasil como local de locação e de força de trabalho do mercado audiovisual Dentre as empresas participantes do chamado Roadshow São Paulo/Los Angeles está a Boutique Filmes, primeira produtora brasileira a produzir uma série para o serviço de streaming da Netflix ("3%"). "O que eu percebi aqui é que todo o setor, as plataformas, os estúdios, estão muito abertos às produções brasileiras. Eles entendem o Brasil como um mercado relevante, um mercado que eles precisam estar e ao mesmo tempo um mercado que pode exportar séries que podem ser assistidas globalmente. Isso eu tenho ouvido de maneira constante e eles estão de olho no que a gente está trazendo no desenvolvimento de novas séries", diz o produtor da Boutique Filmes, Gustavo Gomes de Mello. Fernanda Martins assinou a produção-executiva da missão e organizou 13 encontros para os produtores, em estúdios tradicionais como Warner, Paramount e Sony, nas sedes de plataformas de streaming (Amazon, Netflix, HBO), em companhias de animação e de realidade virtual, além de agências de talentos. Os produtores relatam que, após as visitas, já há potenciais parcerias à vista para aquecer essa via de mão dupla. Incentivo para quem for a São Paulo A iniciativa da missão foi patrocinada pela Spcine, empresa de cinema e audiovisual da cidade de São Paulo que criou o Programa de Atração de Filmagens à Cidade e ao Estado. O Cash Rebate, como é chamado, é um incentivo fiscal para atrair produções cinematográficas estrangeiras ou nacionais de grande alcance internacional. De acordo com o diretor de investimentos da Spcine, Luiz Francisco Vasco de Toledo, muitas empresas brasileiras negociam com o mercado internacional, sobretudo com o europeu, a distribuição e a venda, e tem prestado um serviço de produção para os principais estúdios americanos. Mas, o trânsito é menor quando o assunto é exportar produto audiovisual com propriedade intelectual brasileira. "O Roadshow tem como principal objetivo essa aproximação entre as produtoras brasileiras com os principais nomes americanos do setor. Obviamente, tendo o cash rebate da cidade de São Paulo como um dos veículos que promove uma maior interlocução: o cash rebate oferecido pode ser uma contrapartida de produção e de coprodução para as produtoras brasileiras oferecerem para as produtoras americanas". Neste sábado, no final da missão, os produtores participam da abertura do Los Angeles Brazilian Film (LABRFF), que acontece pela primeira vez de forma presencial após a pandemia de forma presencial. O festival brasiliero apresenta o filme “Eduardo e Mônica”, de René Sampaio, na noite de abertura.
    11/5/2022
    6:04

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